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Laisse Moi: A coragem de nos encontrarmos



A identidade não é estática: muitas vezes, é o próprio movimento de navegação entre fronteiras, memórias e a aceitação de quem somos fora das expectativas alheias. É precisamente com esta premissa de auto descoberta que o projecto Marianne inaugura a sua nova etapa, com o lançamento do single “LAISSE MOI”, onde o francês não surge como um mero adereço estético, mas como um espaço emocional onde certas memórias respiram com maior lucidez. Marianne conta já com um percurso sólido por palcos como o NOS Alive e o Centro Cultural de Belém, e desenvolveu-se entre a Suíça e Portugal.

Ao entoar “laisse-moi, j’veux pas être lá pour toi, j’ai pris le large”, não é apenas evocado um distanciamento emocional, mas sim um acto de libertação geográfica e simbólica. Este conceito de procura pelo próprio espaço pode carregar, para a comunidade LGBTQ, um peso ainda mais familiar e profundo: a necessidade de se afastar do que nos limita para que possamos, finalmente, escutar a nossa própria voz. Há nesta música também um equilíbrio delicado entre a protecção própria e o zelo pelo outro: a letra revela o amadurecimento de quem aprendeu a dizer “tu m’as fait comprendre c’qu’il fallait que je fasse pour moi” (fizeste-me compreender o que eu tinha de fazer por mim). É o despertar de uma consciência que reconhece na distância um gesto de honestidade e na língua uma ferramenta de liberdade, seja ela o francês das memórias ou o português das raízes.

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