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As próximas duas semanas irão ver publicada em duas partes uma crónica escrita há cerca de dois meses atrás. É um daqueles textos que eu decidi deixar na gaveta a marinar durante uns meses enquanto decidia se o partilhava ou não e foi, em parte, o texto que me desligou finalmente daquela saga acerca da qual vocês já devem estar cansados de ouvir. No entanto, penso que de todas as crónicas que escrevi e partilhei até agora, esta foi talvez a que mais me ajudou a arrumar definitivamente as ideias e a deixar ir uma pessoa após perceber que não havia rigorosamente nada a recuperar daquela situação. Leiam-na, por isso como um flashback a uma altura para a qual agora olho como uma experiência de aprendizagem e amadurecimento valiosa.

 

Os últimos 3 meses, vistos desta distância relativamente segura, foram, mais do que tudo, uma experiência de aprendizagem violenta. Caí. Caí com uma força e intensidades demasiado fortes e magoei-me. Olhando objectivamente para os motivos pelos quais me magoei, tenho a presença de espírito e humildade para perceber que uma percentagem da dor que estou a sentir agora foi auto-infligida por uma projecção irreal que foi inteiramente criação minha.

No entanto, essa projecção não veio do nada. O Jamie foi como um tufão que passou na minha vida e me fez acreditar que eu estava no centro do furacão, onde reina a calmaria, e protegido da devastação que a tentativa de construir uma relação com um narcisista provoca. Quando finalmente abri os olhos, já tinha sacrificado a minha saúde emocional numa espécie de altar onde as preces não chegam a deus nem ao diabo, e ficam ali, semi moribundas e ligadas a uma espécie de suporte de vida que não funciona muito bem e mal as consegue manter vivas, mas também não as deixa morrer em paz.

Quando finalmente abri os olhos, já tinha sacrificado a minha saúde emocional numa espécie de altar onde as preces não chegam a deus nem ao diabo, e ficam ali, semi moribundas e ligadas a uma espécie de suporte de vida que não funciona muito bem e mal as consegue manter vivas, mas também não as deixa morrer em paz.

Parte de mim tem vergonha de se ter deixado levar desta forma e ter decidido ignorar a parte do cérebro que me dizia para não dar demasiada importância ao rush de neurotransmissores que a presença dele trazia. Os momentos bonitos faziam tudo parecer tão certo e tão destinado a ser, que eu decidi que as bandeiras vermelhas presentes desde o início eram apenas obstáculos absolutamente possíveis de ultrapassar, graças à minha suposta maturidade e capacidade de adaptação.

Fui-me perdendo aos poucos enquanto fazia da “Salvação do Jamie” um projecto quase a tempo inteiro.

Olhando agora para trás, vejo finalmente o preço que paguei em energia emocional, sexual, social, etc. Reconheço também um traço do meu próprio narcisismo na situação: ali estava um rapaz que fisicamente parecia saído de todas as minhas fantasias, sexualmente compatível, e alguém com quem eu podia ser o R. J. não-músico que durante anos praticamente não tinha existido, enquanto eu vivia exclusivamente para a profissão. Eram também as diferenças no percurso de vida a activar o meu complexo de salvador e tutor: ensinar a esta pessoa acerca do meu mundo e abrir-lhe a porta a uma realidade completamente nova para si.

Cortar com tudo isto custa imenso. O meu apego aos momentos bons faz-me esquecer os momentos maus. Aqueles momentos em que a indisponibilidade emocional e física me deixavam frustrado e ansioso, mas que, inevitavelmente, eu arranjava forma de desculpar e de “ter paciência, porque mais cedo ou mais tarde, os violinos vão tocar e eu vou ouvir o final do dueto da cena de Saint Sulpice da Manon e vamos caminhar de mãos dadas em direcção ao pôr-do-sol”.

É inacreditável o poder de atracção que estas fantasias românticas têm. Hoje caminhamos em direcção ao pôr-do-sol, mas separados e em direcção a crepúsculos diferentes.

To be continued…

 

R. J. Ripley

 

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