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Líder da Catedral de Southwark, no Reino Unido, denuncia homofobia na Igreja e emociona comunidade queer



Num sermão que rapidamente se tornou viral nas redes sociais, o responsável da Catedral de Southwark, em Londres, Mark Oakley, criticou duramente a persistente discriminação contra fiéis LGBTQIA+ na Igreja Anglicana, defendendo que “o amor vence” mesmo perante decisões institucionais que considerou “homofóbicas”.

O reverendo Mark Oakley, recentemente empossado como deão da Catedral de Southwark, voltou a afirmar-se como uma das vozes mais influentes e progressistas da Igreja Anglicana. Oakley contesta a recente decisão da Casa dos Bispos em manter o bloqueio às bênçãos para casais do mesmo sexo e prolongar a proibição de que clérigos celebrem matrimónios civis com parceiros do mesmo género.

“Aquele anúncio fez-me querer gritar”, disse perante a congregação, acusando a instituição de preservar uma “homofobia estrutural” profundamente enraizada. As suas palavras ecoaram imediatamente dentro e fora da catedral, com milhares de partilhas nas redes sociais queer e uma recepção emocionada por parte de fiéis e activistas.

O sermão destacou-se pelo tom pessoal e vulnerável. Oakley recordou o momento em que, aos 18 anos, se assumiu perante a avó, que respondeu com amor e aceitação, um gesto que, segundo o próprio, continua a contrastar com a dureza institucional da Igreja. Muitos membros da comunidade LGBTQIA+ reconheceram neste testemunho um raro sinal de acolhimento dentro de um espaço religioso que, historicamente, lhes fechou as portas.

O responsável da catedral desafiou ainda leituras literalistas das Escrituras usadas para justificar exclusões, afirmando que São Paulo “não vivia no século XXI” e que, nos dias de hoje, testemunharia relações queer plenas de cuidado, compromisso e dignidade, “tão milagrosas como qualquer outra forma de amor”.

A frase que marcou o sermão – “O amor vence e é mais teimoso do que qualquer tentativa de o deter” – tornou-se rapidamente o soundbite queer da semana.

A reacção na catedral foi imediata, com uma ovação de pé, e as redes sociais encheram-se de mensagens de pessoas LGBTQIA+ que encontraram nas palavras de Oakley um inesperado gesto de esperança, num contexto eclesiástico ainda marcado por resistências internas.

Enquanto a Igreja Anglicana continua a adiar decisões no âmbito do processo Living in Love and Faith, a voz de Oakley surge como um lembrete de que existem líderes religiosos dispostos a desafiar o status quo e a afirmar publicamente que não existe fé credível sem justiça.

Assiste aqui ao sermão completo de Mark Oakley: 

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Foto: cathedral.southwark.anglican.org

Bruno Kalil

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