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E pronto! Não vai haver crónica amargurada para ninguém, felizmente. 

Muito obrigado a toda a gente que enviou estas perguntas (algumas delas com aspectos que dariam tema para uma crónica inteira) e a quem enviou mensagens a dizer o quanto estava a gostar desta série de crónicas. Fico mesmo contente que isto esteja a correr bem (e abaixo explico porquê).

Sem mais demora, vamos a isto e vamos às vossas perguntas que esta semana é vossa!

 

Q1: Após um primeiro encontro com um rapaz, há um período de dias ou semanas em que se sucedem outros encontros com essa pessoa, para a conhecer, em que pode haver ou não mais intimidade. Recorrentemente, nesse período, muitas pessoas vão à vida delas, percebem que estão à procura de outra coisa ou cansaram-se. Tudo ok nisso. Quanto a ti, como consegues continuar a marcar novos encontros depois de os outros não terem dado certo? Digo isto porque sempre me retraí quando os encontros não dão certo e fico um pouco desmoralizado para continuar na roda viva de dates, deixando passar algum tempo até voltar a "estar disponível para conhecer alguém". Mas admiro imenso quem consegue manter essa firmeza e segurança.

A primeira pergunta que recebi (muito obrigado ao leitor que a enviou) é daquelas perguntas - jackpot. Na altura respondi com o sentido de humor com deflicto sempre questões complicadas e disse ‘Medicação’. No entanto, é uma pergunta profunda e que não é de maneira nenhuma fácil de responder. 

Acho que um desafio grande para todos nós é manter viva a esperança que as coisas podem ter um final feliz um dia, se bem que neste momento, eu já me daria por feliz com um final não traumático. Como eu disse no outro dia ao meu Psicólogo, ‘diz-se que a esperança é a última a morrer mas, neste momento, a minha já está ligada ao ventilador…’ (piada de mau gosto para se fazer a meio de mais uma vaga de Miss Rona, mas eu ando bem disposto). 

É difícil não ficar desmoralizado quando as coisas correm mal e, pelo menos para mim, a facilidade em seguir em frente está sempre relacionada com o trauma proveniente da situação anterior. Estas crónicas começaram a ser escritas em Janeiro (altura em que começou o Jamie-gate), e essa situação só agora é que se vai resolvendo na minha cabeça. Não por uma predilecção minha por ruminação, mas porque andei efectivamente cinco meses num jogo de pára-arranca com esta pessoa até finalmente me ter apercebido que eu era uma espécie de power-bank de validação para um narcisista. Levou tempo a voltar a ganhar controlo sobre as coisas, e tal como disse numa das crónicas a este respeito, ‘Timing é tudo’ incluindo para a nossa própria recuperação. Mesmo já depois de eu ter percebido que não ia conseguir retirar nada daquela situação, era algo muito difícil para mim ter algo mais casual com outra pessoa. Foi preciso deixar o tempo re-equilibrar as coisas (e também desligar activamente a power-bank, que foi talvez o momento mais difícil neste processo todo), para me voltar a sentir preparado.

 

Q2: De onde surgiu o nome?

Quando comecei a escrever as crónicas, tinha acabado de rever o Alien original de 1979 e decidi adoptar o nome do personagem da Sigourney Weaver. As iniciais foram ainda menos originais.

 

Q3: Acho-te tão interessante que teria imensa coisa a perguntar! Mas tenho curiosidade sobre a tua área de formação! Podes partilhar? E como seria o date ideal para ti?

Obrigado a este leitor pelo elogio e ainda bem que as crónicas passam a ideia de alguém interessante e não duma pessoa que vai dormir às 22:00 porque está afogada em ennui e acorda às 6:00 a pensar como raio é que vai ocupar a manhã…

Posso partilhar a minha área de formação, sim. Como aquela canção do Aznavour, ‘Je suis artiste’ (sou músico). 

Em relação ao date ideal, eu não sou muito difícil de agradar mas prefiro estar num lugar calmo onde dê para conversar e gosto de perceber que há um esforço mútuo por fazer conversa e que não sou só eu a suar as estopinhas para não haver silêncios embaraçosos. E que, por favor, me deixem pagar a minha parte da conta…

 

Q4 - Como é como te tens sentido ao partilhar as tuas histórias com os leitores e se isso, de alguma forma, tem tido um efeito apaziguador. 

Tem sido um óptimo exercício de descompressão e organização mental para mim. Eu sempre gostei de escrever apesar de, como já disse, a minha área artística profissional ser outra, e estive muito tempo sem o fazer. Comecei a trabalhar nestas crónicas um bocado para mim mesmo numa tentativa de organizar a forma como estava a pensar e como estava a reagir a estas situações que a vida de solteiro me estava a trazer, porque sentia, em certa parte, que se calhar o problema era eu e a minha maneira de estar e pensar. Quando as crónicas começaram a sair e quando os comentários começaram a chegar e havia uma nota constante da parte dos leitores em sentir-se vistos e validados, isso encheu-me de alegria. Não tanto por confirmar que eu não sou a única pessoa a pensar desta forma, mas por saber que as minhas palavras estavam a ajudar outras pessoas a sentir-se menos isoladas e menos sozinhas. Fala-se muito em “comunidade” dentro do nosso segmento da população, mas a verdade é que a “comunidade” gay é capaz de ser das que mais cultiva o individualismo e mais auto-perpetua os problemas que deram origem a estas crónicas.


Q5 - Por que razão achas que as pessoas da comunidade LGBTI (mais a letra G na verdade) se tratam tão mal nas apps?

Privilégio, narcisismo e trauma/insegurança mal resolvidos. As duas primeiras porque muitos gajos acham que o facto de parecer muito bem lhes dá o direito de ser estúpidos para as outras pessoas sem consequências algumas. A última, porque muitas pessoas acham que o facto de terem sido mal tratadas ou de terem situações traumáticas no passado, lhes dá o direito de se “proteger”, e entendem essa protecção como implicando uma agressividade atrás dum ecrã de telemóvel, agressividade essa da qual jamais seriam capazes ao vivo.

Q6 - Afinal onde é que se come a melhor mousse de chocolate de Lisboa?

Bairro Alto, Cultura do Hambúrguer. (Não, eles não me patrocinam mas já me conhecem, já sabem onde é que eu gosto de me sentar e já nem se dão ao trabalho de me trazer o menu…)

 

R. J. Ripley

 

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