As ruas inundaram-se, hoje, de indignação e revolta contra um retrocesso que atingirá diretamente pessoas trans e intersexo, se não for travado atempadamente.
Milhares de pais e mães de pessoas LGBTI+, a própria comunidade LGBTI+, pessoas aliadas, associações e profissionais que a direita se recusou a ouvir mobilizaram-se em peso e a conclusão é óbvia: este pacote anti-trans tem de cair.
Tive o privilégio de ouvir pais e mães de pessoas trans assim que me juntei à AMPLOS nesta marcha. Ouvi e abracei pessoas com o coração nas mãos por, depois de verem as propostas do PSD, do CDS e do Chega aprovadas, não saberem como será o futuro das suas crianças e jovens, por quem movem mundos e fundos para garantir que se mantêm vivas, felizes e protegidas.

Uma coisa é certa: não há nada mais importante para uma criança ou jovem trans do que uma família que a ame, que afirme a sua existência tal como ela é, que se dirija a ela pelo seu verdadeiro nome e que caminhe ao lado dela, sem hesitações, preconceitos ou violência.
Uma coisa é certa: não há nada mais importante para uma criança ou jovem trans do que uma família que a ame, que afirme a sua existência tal como ela é, que se dirija a ela pelo seu verdadeiro nome e que caminhe ao lado dela, sem hesitações, preconceitos ou violência.
A direita conservadora e os fascistas do nosso Parlamento nunca ouviram uma única pessoa trans, uma única pessoa intersexo, uma única mãe ou pai de jovens e crianças trans e intersexo, uma única associação, ninguém.
A direita conservadora e os fascistas do nosso Parlamento nunca ouviram uma única pessoa trans, uma única pessoa intersexo, uma única mãe ou pai de jovens e crianças trans e intersexo, uma única associação, ninguém.
Nunca se dignaram a serem humildes para aprender com a experiência de vida destas famílias cuja realidade é tantas vezes dolorosa, difícil e angustiante, o que revela uma de duas coisas: ou vivem numa bolha de normatividade que as torna alheias ao mundo real, ou ostracizam estas pessoas dentro das próprias famílias.
Os partidos têm de ouvir as pessoas trans. A comunicação social tem de dar palco, voz e visibilidade às pessoas trans. É incompreensível e insuportável ouvir e ler tantos comentários de pessoas que todos os dias têm sempre alguma coisa a dizer sobre estas vidas, alguma desinformação para espalhar, algum preconceito para disseminar, mas nunca ouvimos as pessoas trans.

Os partidos têm de ouvir as pessoas trans. A comunicação social tem de dar palco, voz e visibilidade às pessoas trans. É incompreensível e insuportável ouvir e ler tantos comentários de pessoas que todos os dias têm sempre alguma coisa a dizer sobre estas vidas, alguma desinformação para espalhar, algum preconceito para disseminar, mas nunca ouvimos as pessoas trans.
Dêem-lhes espaço para falar sobre a importância do reconhecimento legal da sua identidade, duma escola onde o seu nome e os seus pronomes são respeitados por toda a comunidade escolar, dum SNS capaz de lhes responder sem terem de recorrer ao privado ou a outro país e duma habitação e dum salário que lhes permita ter uma vida independente.
Ouçam e dêem voz e palco à comunidade científica e académica que se tem vindo a pronunciar negativamente sobre as propostas aprovadas, como é o caso da Ordem dos Médicos que fala num “retrocesso clínico perigoso que terá um custo humano incalculável na saúde mental de uma população já vulnerável e sujeita ao estigma social”.
“Um retrocesso clínico perigoso que terá um custo humano incalculável na saúde mental de uma população já vulnerável e sujeita ao estigma social” – Ordem dos Médicos

Ouçam quem sabe e estuda, ouçam experiências na primeira pessoa, ouçam quem as acompanha, ouçam quem dedica a sua vida a salvar estas vidas.
O Governo escondeu o parecer da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género sobre as propostas apresentadas de revogação da lei 38/2018. Isto é mais do que incompreensível. É gravíssimo! O Governo escondeu um parecer dum órgão público por saber que este mesmo parecer não corrobora de forma alguma o retrocesso civilizacional a que nos querem submeter.
O Governo escondeu o parecer da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género sobre as propostas apresentadas de revogação da lei 38/2018. Isto é mais do que incompreensível. É gravíssimo! O Governo escondeu um parecer dum órgão público por saber que este mesmo parecer não corrobora de forma alguma o retrocesso civilizacional a que nos querem submeter.
Querem pôr em causa a vida de crianças e jovens por serem trans, enquanto enchem o peito a dizer que são pró-família e pró-vida.
Aprovar leis que aumentarão as taxas de suicídio em pessoas menores de idade não é ser a favor da vida.
Aprovar leis que impedirão os pais e as mães de cuidar das suas filhas e dos seus filhos de acordo com o consenso científico não é ser a favor da família.
Nada disto é moderação, nada disto é proteção de crianças, nada disto é um combate a radicalismos, nada disto é decência.

Isto é puro ódio, ignorância, falta de empatia, violência e cedência ao fascismo do Chega e do actual CDS. Leiam menos Marias Helenas Costas e mais pareceres científicos.”
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Miguel Salazar


