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Morreu o activista e actor António Alves Vieira. Homenagem no Porto esta terça-feira



Morreu, no passado sábado, o activista das Panteras Rosa, actor e militante do Bloco de Esquerda António Alves Vieira. O jovem de 30 anos foi encontrado morto.

 

António Alves Vieira foi um dos principais impulsionadores da Marcha do Orgulho LGBTI do Porto.

As reacções de consternação e pesar chegam de vários quadrantes, tantos quantas as áreas que António Alves Vieira tocou com o seu trabalho.

Poucas horas depois de ser conhecida a morte de António, a realizadora e amiga pessoal Raquel Freire desabafava “ainda não consigo escrever sobre ti com as palavras que mereces. Só te posso garantir: a gente vai continuar. Nós vamos continuar a sonhar, meu mais que querido António.”

As Panteras Rosa consideram o companheiro como “artista incorrigível, activista indomável, personalidade única, sabia discutir com outros, sabia aprender com outros e sabia construir colectivos em que a sua presença era a de um mais que se juntava em causas comuns”. 

Numa nota de pesar o Bloco de Esquerda considera que com este desaparecimento “a luta pela emancipação fica mais pobre“, no entanto, a sua figura “servirá como inspiração para os combates do futuro“, frisa o BE. António era “militante da luta pelos direitos laborais dos artistas do espetáculo e por uma outra política cultural” pode ler-se na mesma nota.

 

Diogo Sottomayor, criminólogo e estudante de teatro, também lamentou publicamente a enorme perda do amigo: “Quando te vi tinha 16 anos. Deste-me a força para me assumir e para enfrentar um mundo tóxico e oportunista. Via-te todos os anos, mais do que uma vez em todas as marchas a lutar por um mundo melhor. Partiste cedo demais. Tinhas sempre uma palavra amiga, tinhas sempre um abraço de conforto a dar. Sorrias e davas alegria aos outros.

 

Numa mensagem partilhada na rede social Facebook, o político José Soeiro, lamenta a perda do amigo António lutava com o coração, com o estômago, com o corpo todo”: “Tudo nele era intenso e verdadeiro. Deste-nos tudo. O mundo tem tão poucas pessoas assim. O mundo, esse que tu enfrentavas com a inteligência violenta do teu amor, tem tão pouco lugar para pessoas como tu, não sabe o que fazer com elas.

 

 

Numa publicação no Facebook a organização da Marcha do Orgulho LGBTI do Porto relembra o percurso do activista: “Companheiro, amigo, camarada. Luta também é amor, e tu encheste as nossas vidas de luta e de amor. São treze anos do Orgulho LGBT do Porto. Combativo, generoso, justo, irreverente, radical somos o Orgulho LGBT+ porque marchamos juntas. Fazes parte da história do movimento LGBT+ em Portugal e da história de todxs xs ativistas que construíram contigo este movimento.Fazes parte da nossa memória histórica da luta pelos direitos das pessoas LGBT+. Sempre do lado certo e muitas vezes do lado difícil de quem dedica a sua vida a construir colectivamente um mundo melhor para todxs. Ainda não chegamos lá, mas vamos continuar a marchar, Amigo. Vamos continuar a dançar para fazer esta revolução. Mas para já amigo, são imensas as saudades. Até já, António.

 

Actor de profissão, António Alves Vieira formou-se na Academia Contemporânea do Espetáculo, no Porto, e, mais tarde, estudou na Escola Jacques Lecoq, em Paris. Trabalhou em várias companhias de teatro. Era também produtor e poeta. Participou no filme “A Rapariga da Máquina de Filmar” e na novela “Rosa Fogo”, da SIC, entre outros trabalhos.

As cerimónias fúnebres decorreram, esta segunda-feira, em Marco de Canaveses de onde António Alves Vieira era natural.

 

Para esta terça-feira, a partir das 12 horas, na zona da Lapa (entre a Rua de Cervantes e a Rua Alves Redol), no Porto, está a ser pensada uma homenagem a António Alves Vieira. Trata-se da pintura de um mural. A participação é aberta a todos os amigos, amigas, companheiros, companheiras, activistas para que se juntem e tragam poesia, desenhos, frases que perpetuem a memória de António.

 

 

Importante: Se sentes que precisas de desabafar, recorre a alguma das seguintes organizações de apoio às pessoas LGBTI em Portugal. 

API – Associação Plano i (Matosinhos)

APAV – Associação Portuguese de Apoio à Vítima – Rede Nacional de Gabinetes 

API – Acção Pela Identidade

AMPLOS – Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual e Identidade de Género

Casa Qui – Associação de solidariedade social pela inclusão e bem-estar da população LGBT

ILGA Portugal – Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero

Linha LGBT – Linha Telefónica de Apoio e Informação LGBT

rede ex aequo –  Associação de jovens LGBTI e apoiantes: geral@rea.pt

Panteras RosaFrente de Combate à LesBiGayTransfobia

SOS Voz Amiga – um serviço de ajuda pontual em situações agudas de sofrimento causadas pela Solidão, Ansiedade, Depressão e Risco de Suicídio: 21 354 45 45,  91 280 26 69 ou 96 352 46 60.

Se és alvo de violência, bullying homofóbico ou transfóbico contacta as autoridades policiais em qualquer localidade.

 

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