Todos os anos, por esta altura, vemos as ruas encherem-se de arco-íris, as marcas pintarem os seus logótipos com cores vibrantes e slogans de inclusão multiplicarem-se em anúncios e campanhas. Mas o que acontece quando as luzes se apagam e os meses avançam?
logótipos com cores vibrantes e slogans de inclusão multiplicarem-se em anúncios e campanhas. Mas o que acontece quando as luzes se apagam e os meses avançam?
O Mês do Orgulho existe porque, em 1969, pessoas queer, trans e racializadas se revolucionaram perante a violência policial em Stonewall. Existe porque, durante décadas, fomos obrigados a viver em silêncio. Existe porque continuamos a ser assassinados em muitos países, agredidos em ruas que também nos pertencem e expulsos de casas onde devíamos ser amados. Mas o Orgulho não se esgota em Junho. O Orgulho é a nossa vida toda.
O Mês do Orgulho existe porque, em 1969, pessoas queer, trans e racializadas se revolucionaram perante a violência policial em Stonewall. Existe porque, durante décadas, fomos obrigados a viver em silêncio.
Este ano, vimos várias empresas retirarem-se de eventos Pride, justificando-se com “cortes orçamentais” ou “prioridades estratégicas”. Quando na verdade sabemos que se deve às novas políticas anti-inclusão do executivo de Donald Trump, que trazem mais liberdade aos CEOs da vida, para pararem de colocar máscaras coloridas durante um mês. Defender os direitos LGBT+ parou de estar na ordem do dia para o mundo empresarial.
Defender os direitos LGBT+ parou de estar na ordem do dia para o mundo empresarial.
Este facto não é surpreendente, já que a adesão corporativa ao Pride sempre foi, em grande parte, um acto de marketing. Mas é importante perceber que, quando se retiram, não deixam apenas de patrocinar um evento. Deixam a comunidade sem apoio financeiro, visibilidade e, muitas vezes, segurança para organizar manifestações públicas. O que nos deve chocar não é tanto a sua ausência, mas o facto de alguma vez termos confiado nelas para garantir o nosso direito à rua.
Junho termina, e talvez as bandeiras desapareçam das montras. Mas nós continuamos aqui. O Orgulho não é uma campanha publicitária de 30 dias. É a afirmação de uma existência que se recusa a ser apagada, mesmo quando deixa de ser rentável.
O Orgulho não é uma campanha publicitária de 30 dias. É a afirmação de uma existência que se recusa a ser apagada
Que Julho chegue, então, e que venham todos os outros meses. Porque nós, pessoas queer, sempre soubemos que lutar por dignidade, por direitos e por amor nunca foi questão de calendário, mas é e será sempre questão de sobrevivência.
João Miguel Miranda


