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OPUS DEI – Engenharia Financeira, Tráfico Humano e a Ascensão da Extrema-Direita no seio da Igreja Católica



OPUS é uma obra de Gareth Gore, jornalista de investigação e editor britânico, especialista em temas de actualidade financeira, com publicações em revistas como Bloomberg, Thomson Reuters e International Financing Review. Este, o seu livro mais conhecido, investiga a organização Opus Dei na sua intersecção com finanças internacionais, tráfico humano, e movimentos de extrema-direita no contexto da Igreja Católica.

Nesta obra, OPUS, é apresentada uma investigação jornalística, potencialmente provocadora, que convida à reflexão sobre temas pouco debatidos abertamente: De que forma uma rede de influência religiosa acumulou grande poder financeiro e político? Qual o papel dessa estrutura na erosão de liberdades democráticas ou nos debates sobre moral, género e reprodução? Que ligações existem entre a rede religiosa, o tráfico humano e os sistemas de poder de direita? Estas são apenas algumas das questões que o livro levanta e nos conduz em torno desta organização religiosa que tem sido alvo de controvérsia por várias razões: a oposição à homossexualidade no sentido de considerar actos homossexuais como contrários à moral cristã; a defesa de valores morais conservadores como a expectativa de castidade e a visão tradicional de “família homem-mulher”, assim como, a alegada exploração de trabalho e tráfico humano.

Ao combinar investigação jornalística com narrativa de conspiração e com temas sensíveis (tráfico humano, lavagem de dinheiro, abuso espiritual), o livro levanta questões éticas de apresentação de factos que ainda não têm veredicto judicial. Como em qualquer investigação crítica sobre instituições poderosas, é importante considerar que a obra de Gore gera controvérsia, a própria instituição – OPUS DEI – criticou o livro de Gore, alegando que ele continha “factos distorcidos, teorias de conspiração e mentiras flagrantes”.

O livro de Gareth Gore é um trabalho provocador e relevante por levantar temas urgentes e pouco debatidos: o papel das instituições religiosas no mundo económico-político, o uso de finanças e influência para agendas de poder, os riscos de estruturações hierárquicas fechadas. Uma obra recomendada para leitores que querem conhecer uma investigação contundente, que não têm problema com tons críticos e querem se engajar com debates sobre religião, poder e finanças.

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Edição portuguesa: Outubro de 2025

Editora: Clube do Autor

Páginas: 416

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Daniel Santos Morais

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