a ler

“Orlando” de Virgínia Woolf



Virginia Woolf, aguerrida feminista e pessoa queer, escreveu este livro durante cerca de 5 meses, ao 45 anos, como uma carta de amor a Vita Sackville-West, a sua amante (que também tinha obra a descobrir, já agora). Sendo publicado praticamente a seguir, em 1928, o livro colheu bastante sucesso comercial (para grande surpresa da própria autora) pela sua originalidade em termos de construção narrativa e ousadia temática. E o efeito não se perdeu com o tempo.

Orlando é uma personagem que olha o mundo com a inocência de um extraterrestre, questionando tudo, incluindo as instituições, os papéis sociais, as relações, a história, a arte e literatura e até a rigidez do género. A personagem principal vive durante séculos, atravessando a história da Inglaterra e as suas diversas convulsões políticas com um afastamento lúdico, mas o momento mais marcante será, provavelmente, quando ela, imperturbadamente, muda de sexo (mas não de nome), a meio da história. Despertei o interesse?

Nem sempre é fácil seguir a narrativa, em que o alegórico e o real se misturam, sem grande distinção, e em que os enredos tão depressa são lançados, quanto são abandonadas ou retomados, sem grande compromisso por parte do narrador – sempre permeadas de comentário mordaz, do detalhe histórico, do onírico surrealismo que se revolta contra toda a lógica racional. Mas é uma leitura interessante, sem dúvida, que obviamente ocupa o seu espaço na história queer e na literatura.
Por um valor relativamente baixo poderão adquirir a versão da colecção 11 X 17 da Livraria Bertrand, em edição de bolso – que foi aquela em que li a obra. E, se quiserem continuar a explorar a obra de Woolf, ainda há o filme, do mesmo nome desta obra, com Tilda Swinton (quem mais poderia fazer esta personagem?). E, claro, os restantes livros da autora (um dos quais, “Mrs. Dalloway”, encontrarão na mesma colecção).

João Barbosa

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *