Uma mensagem é um pedido. Uma mensagem é uma chamada de atenção. Hoje de manhã, recebi uma mensagem no Instagram que dizia: “Tens 6K seguidores: manda uma story sobre pinkwashing”. A primeira frase que se desenhou na minha mente foi: não estamos em Junho. Vi as minhas ideias a dançarem no preconceito de datar os temas. Falar sobre pinkwashing todo o lado. Porque não? As mãos abrem uma página em branco, que os olhos fixam muito atentamente no ecrã. De repente, a minha voz sentiu uma enorme vontade de se expressar, de falar, de gritar: falemos todos os dias de todas as coisas.
Todos os dias assistimos a situações de branqueamento. Branqueamento de capital, branqueamento de imagem. Falemos então do “roseamento”. Existe uma tentativa de lavagem de imagem rosa, como se de águas de rosa se tratasse, por parte de países, empresas, instituições, abraçando deste modo, os direitos e a inclusão da comunidade LGBTQ. Do armário do ano anterior, voam bandeiras, lancheiras, garrafas, leques, meias, porta-chaves e toda uma panóplia de objectos, que a imaginação humana permita alcançar.
De facto, assistimos com mais força a este “roseamento” durante o mês de Junho. Existem então duas questões que me desenham muitos pontos de interrogação na testa. E todas as lojas e empresas, que sabemos quais são, pois entramos nelas quase todas as semanas, que vendem produtos vestidos da bandeira arco-íris, durante todo o ano? Estarão estas a pressionar o botão On, nas suas máquinas de lavar com detergente rosa, o ano todo? Ou, nem tudo é pinkwashing? Tal como eu inicialmente reagi com preconceito à mensagem deste simpático seguidor, não estaremos por vezes nós a vestir de preconceito e levar tido pela mesma medida? Compreendo perfeitamente o motivo e não o condeno. São demasiados anos de não inclusão e hipocrisia social. Esta revolta e necessidade de justiça social já nos corre nas veias.
A segunda questão que me assalta é: haverá também benefícios no pinkwashing? Mesmo que a lavagem seja feita apenas com a intenção de benefícios ou lucros próprios, a verdade é que, de alguma maneira a bandeira arco-íris começa a ganhar uma normalidade no dia a dia de todos, originando deste modo a inclusão. Este pensamento fez-me crer que, muitas vezes a intenção pode não ser a melhor, mas o resultado é positivo.
Para estas dias perguntas, não tenho ainda resposta. Existem perguntas que não têm de ter uma única resposta. Por vezes a intenção de se desenharem em pontos de interrogação, seja somente a reflexão sobre as mesmas, sem pré conceitos estabelecidos.
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Peter Pina


