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Quando tomei a decisão de ser eu

não me calas

Quando tomei a decisão de ser eu, na minha própria essência, eu sabia que iria carregar um peso por isso. Eu sabia que não corresponder às normas impostas por uma sociedade cisheteronormativa e patriarcal seria daqueles desafios que por vezes me iriam deixar sem dormir algumas noites. Eu sabia disso, mas também sabia que deixar de ser quem sou nunca esteve nos meus planos.
 
 
Sempre fui uma pessoa com níveis hormonais um pouco diferentes da mulher a que chamam de "normal". Os pêlos apareceram cedo no meu corpo e durante muitos anos recusei-me a aceitar isso.
Lembro-me do meu pai me perguntar se eu não ia tirar "esses pêlos da cara" e dele comentar com a minha mãe que eu andava a tomar "comprimidos para ser um homem". Durante anos a minha segurança e auto-estima ficaram arrasadas e como a maioria das pessoas, eu varri para debaixo do tapete e tentei corresponder às caixinhas da sociedade: uma mulher não pode ter pêlos, uma mulher não pode ser gorda, uma mulher não pode isto e aquilo.
Deixa-me só ir ali ao cimo da montanha para que me possam ouvir: A MULHER PODE TUDO O QUE ELA QUISER.
 
Deixa-me só ir ali ao cimo da montanha para que me possam ouvir: A MULHER PODE TUDO O QUE ELA QUISER.
 
Antes que deixe passar a oportunidade, quero dizer que sou uma pessoa não-binária. Então, não me encaixo no que tradicionalmente a sociedade chama de homem e mulher. Não me identifico.
Então, este post é para representar também corpos não-binários e mostrar que eles são válidos.
 
Mas durante muitos anos vivi sendo vista como uma mulher. E assim sendo, sei a tortura psicológica que nos impõem para que sejamos perfeitas. Aceitem a realidade: Uma mulher tem pêlo, tem estrias, tem acne, tem gordura. E ela tira esses pêlos se quiser e da forma que quiser.
 
A vocês mulheres, a vocês não-bináries: nunca deixem de ser quem vocês são por inteiro. Vocês são lindes!
 
E gente... não me coloquem em caixinhas que são demasiado pequenas para mim. 
 
Sejam amor, livres e revolucionáries! 

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O objectivo destas fotos é fazer chegar a mais pessoas para desconstruir estereótipos ligados aos corpos não-binários e também desconstruir essa ideia de que a mulher não tem pêlos ou não pode usar coisas que são consideradas de "homem". Na verdade, objectos, roupas, estilo, cores não têm género. Vamos partir por aí.
Acho que está mais do que na hora de acabarmos com estes preconceitos todos, estas caixinhas que nos tornam pessoas tão pequeninas. E o ser humano de pequenino não tem nada. Antes pelo contrário.
 
Wolf, activista #NÃOMECALAS