Viajar continua a ser um desafio para muitas pessoas LGBTQ+. Um novo estudo da Booking.com revela que quase 70% dos viajantes escondem a sua orientação sexual ou identidade de género quando estão fora de casa, demonstrando que a segurança continua, muitas vezes, a sobrepor-se à liberdade de ser quem se é.
O relatório Travel Proud 2026, o maior estudo alguma vez realizado pela plataforma sobre viagens LGBTQ+, analisou as respostas de mais de 13 mil pessoas em 19 países. Os resultados mostram que apenas 31% dos inquiridos afirmam estar completamente assumidos durante as viagens, o que significa que 69% optam por não revelar totalmente a sua identidade quando viajam. Em comparação, 68% dizem estar assumidos junto dos amigos mais próximos.
Os resultados do estudo revelam
ainda que 40% dos participantes estariam dispostos a esconder a sua identidade para visitar um destino de sonho, evidenciando que, para muitos, viajar implica ainda ponderar cuidadosamente os riscos associados à visibilidade da sua identidade.
As preocupações com a segurança reflectem-se também nos comportamentos adoptados antes e durante as viagens. Quase metade dos inquiridos (44%) afirma tomar hoje mais precauções do que há alguns anos. Entre as medidas mais comuns estão partilhar a localização em tempo real com familiares ou amigos, apagar aplicações de encontros antes de atravessar determinadas fronteiras, utilizar VPN para proteger a privacidade online ou até recorrer a telemóveis secundários.
Demonstrar afecto em público continua igualmente a ser motivo de preocupação. O estudo conclui que 48% dos viajantes LGBTQ+ analisam constantemente o ambiente antes de dar a mão ou beijar o parceiro em espaços públicos, um comportamento que ilustra a ansiedade que muitos continuam a sentir quando viajam.
Os viajantes transgénero surgem como um dos grupos que enfrenta maiores desafios. Segundo a investigação, são aqueles que apresentam maior ansiedade relacionada com as viagens, sobretudo no acesso a casas de banho e outros espaços segregados por género.
Apesar deste cenário, o relatório apresenta também sinais positivos. 82% dos inquiridos afirmam ter vivido pelo menos uma experiência positiva relacionada com a sua identidade LGBTQ+ durante o último ano, enquanto 58% consideram que a aceitação das pessoas LGBTQ+ melhorou nos últimos anos.
A Booking.com destaca ainda o crescimento do programa Travel Proud, que identifica alojamentos com formação específica em inclusão LGBTQ+, bem como o recurso crescente à inteligência artificial para obter informações consideradas mais imparciais sobre segurança, legislação e espaços inclusivos nos destinos.
Embora a liberdade de viajar seja um direito universal, os dados demonstram que, para milhões de pessoas LGBTQ+ em todo o mundo, essa liberdade continua frequentemente condicionada pela necessidade de esconder uma parte fundamental da sua identidade.


