Esta segunda-feira deflagrou um fogo na cadeia de Tires, em Cascais. O incidente provocou ferimentos em cinco guardas prisionais e numa reclusa transexual, sendo que uma das guardas foi transportada em estado grave para o Hospital de Cascais.
O alerta de fogo foi dado pouco antes do meio-dia, mobilizando 12 bombeiros e 5 viaturas.
De acordo com testemunhos dados ao Correio da Manhã, o fogo terá deflagrado numa cela da zona conhecida como “Casa das Mães”, sendo que os guardas prisionais apontam como potencial culpada um reclusa, que havia sido há pouco transferida da prisão feminina de Santa Cruz do Bispo.
O Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional( SNCGP) já reagiu ao sucedido, dizendo que este tipo de situações “coloca em causa a segurança prisional” e que a reclusa “deveria ter sido colocada numa ala de segurança da cadeia de Monsanto, e não junto de mulheres e crianças, na ‘Casa das Mães’”.
A declaração citada também veiculada pelo jornal Nascer do Sol configura evidente transfobia por parte deste sindicato.
O SNCGP, ao sugerir que a reclusa seja transferida para a cadeia masculina do Monsanto, parte do princípio que a reclusa não é uma mulher, atitude transfóbica e lamentável.
A forma como o SNCGP e os guardas prisionais descreveram o sucedido aos meios de comunicação social demonstra a falta de literacia face às pessoas transexuais e a forma como alguns meios de comunicação a veiculam declarações ser contrapor ou informar devidamente – como é seu papel – potenciam a perpetuação de estereótipos associados à transexualidade como a violência, com objectivo de inflamar as redes sociais e seguir uma agenda que pretende oprimir as minorias.
Esta forma de discriminação não é só desconhecimento, nem é não intencional. É crime.
Não há qualquer tipo de causalidade entre o episódio ocorrido e a transexualidade.
O dezanove.pt deseja as melhoras a todas a vítimas, assim como expressa a sua vontade de ver a comunidade transexual a ser tratada com o respeito devido. Por último, que sejam apurados os factos e punidos os responsáveis pelo sucedido sem que a identidade de género seja mencionada como potencial desencadeador da situação.
Ricardo Falcato


