Sandro Roma: "Dou sempre o meu melhor"
É conhecido por dançar em várias festas nocturnas dirigidas essencialmente a gays e lésbicas. As suas recentes deslocações ao estrangeiro e alguns passos no mundo da moda fazem antever que Sandro Roma não fique apenas por aqui, até porque a simpatia e o profissionalismo deste bailarino não deixam ninguém indiferente. Nascido em Setúbal, e com apenas 26 anos, Sandro diz-se livre, “um status diferente que as pessoas hoje em dia ainda não compreendem”.
Em 2011 Sandro dizia-nos que ouvia muitas vezes queixas acerca da noite em Lisboa estar "a cair na monotonia". Quatro anos depois, fica a saber mais sobre o percurso e que pensa este jovem sadino numa entrevista em exclusivo ao dezanove.pt
dezanove: começaste os estudos em Design de Comunicação… e agora és um dos bailarinos mais conhecidos da noite lisboeta. Era o que pretendias?
Sandro Roma: Comecei a minha formação académica no ano lectivo de 2007 no curso de Design de Comunicação e terminei em 2011.
Comecei por dançar no Alcântara Mar, num grupo chamado Alcântara Dancers por mero acaso e diversão, não com o intuído de me tornar conhecido.
Com o tempo comecei a ser chamado por várias discotecas heteros e gays e a trabalhar cada vez de forma mais profissional e acabei por ter projecção ao nível da animação e produção.
Acaba por ser a tua profissão, portanto.
Sim, hoje em dia trabalho neste ramo profissionalmente. É um trabalho que adoro fazer, pois engloba um pouco de tudo, desde a dança à moda, ao lidar e saber estar com o público entre outras coisas. É trabalho que tem de ser feito por gosto, como todos os outros. E o facto de trabalhar muito e com a minha imagem, sim, faz com que seja conhecido, mas também porque dou sempre o meu melhor em todos os projectos em que me insiro, tentando ter sempre o lema, “arranjar soluções, não problemas”.
És muito abordado na rua? Como reages?
Abordado não, mas como conheço muita gente pessoalmente ou só de vista, cumprimento sempre pois não custa nada e foi assim que fui educado: a ser cordial e simpático. A não ser em algumas situações em que esteja a pensar “com os meus botões” e aí passa-me tudo ao lado.
Desde festas temáticas como Lesboa, We Party, Manhunt passando por presenças no Arraial Pride, e sendo presença regular na discoteca Construction agora é comum encontrar-te pelo estrangeiro. Como se deu este salto?
Bem, voltando a primeira pergunta, sou um dos bailarinos mais conhecidos na noite pelo meu trabalho. Então pensei “por que não “voar” mais alto e tentar coisas fora?” Fi-lo também com a ajuda de alguns amigos, comecei a pesquisar e a falar com as pessoas indicadas e a mostrar o meu trabalho. E tem dado resultados.
Em que festas internacionais já actuaste?
Em Espanha já estive em Madrid (Kluster, Radical Madrid e na discoteca Strong), em Vigo na discoteca Privee Vip Club, em Sevilha (discoteca Itaca), Torremolinos (discoteca Centuryon); em Itália já estive na discoteca The Farm Club, em Milão e no Reino Unido trabalho com o The Orange Group, sediado em Londres, e com eles já dancei nas festas Beyond, Gravity, We Party e Matinee.
Depois de passar por tantas cidades europeias, como vês o crescimento do turismo gay em Lisboa?
Lisboa tem um grande potencial para crescer, é uma cidade cheia de vida e contagiante, belas zonas para visitar, um clima óptimo, entre outras coisas mais. Uma das coisas essenciais para que possamos crescer é que as pessoas se apoiem mais umas às outras e não criarem “guerras” entre casa, parcerias, associações, pois assim nunca vamos evoluir. Projectos e ideias novas servem para crescermos, não para deitar abaixo.
O mundo da moda também te tem requisitado: como foi a abordagem para desfilar para a Moda Lisboa e para a agora recém-criada MUCH?
Em 2011 desfilei para o Nuno Gama na Moda Lisboa. Já em 2014, fiz uma performance juntamente com a actriz e modelo Sofia Aparício, para o fashion designer Filipe Faísca e a artista plástica Joana Vasconcelos. Também o ano passado entrei numa produção para o salão Griffehairstyle. E no final de 2014 fui convidado a ser o modelo do lançamento da marca MUCH Underwear.
Quanto tempo passas no ginásio por dia? Que cuidados tens contigo, com o teu corpo, horas de sono, alimentação, …?
Vou ao ginásio as vezes que conseguir. Sinto-me bem a treinar, não o faço como uma obrigação. Costumo comer bem ou melhor muito, mas depende da fome. Tento ter alguns cuidados, mas não me nego a nada, como a minha mãe diz “sou de boa boca”. Quanto a dormir, ui... pouco. Cerca de 5 horas e já estou cheio de energia. Reconheço que deveria descansar mais.
Consegues estar a dançar quantas horas? Que tipo de música preferes?
Consigo dançar bastante tempo, mas claro quanto melhor for a música mais vontade dá de dançar. Tenho preferência por Tech House e House.
És solteiro e um bom rapaz para que idade? Onde nasceste?
Sou livre, é um status diferente que as pessoas hoje em dia ainda não compreendem, tenho 26 anos e nasci em Setúbal.
Que projectos futuros gostarias de abraçar?
Não sei, mas os que vierem são bem-vindos e darei o meu melhor.
Entrevista de Paulo Monteiro