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Assinala-se hoje, 1 de Dezembro, o Dia Mundial de Luta Contra a Sida. Pessoas de todo o mundo estarão empenhadas no objectivo de sensibilizar, informar e demonstrar solidariedade internacional face à pandemia do VIH.

Cerca de 25 mil pessoas morreram vítimas de VIH/SIDA em Portugal em pouco mais de 35 anos.
Ao cabo que 40 anos parece a cura ou vacina estar próxima. As terapêuticas têm evoluído tornando esta síndrome num estado crónico e sem grandes efeitos indesejáveis para o doente, uma vez respeitado o tratamento e vigilância.

Existem vários medicamentos bastante eficazes, que ainda não permitem a cura, mas permitem que as pessoas tenham uma qualidade de vida saudável se cumprirem a medicação que lhes é prescrita e tiverem o devido acompanhamento clínico.
Neste âmbito refira-se a ‘Profilaxia Pré-Exposição’ (PrEP), em que apenas a toma diária de um medicamento tem uma eficácia de 90% na prevenção da transmissão do VIH.
Esta profilaxia destina-se a quem está exposto a um alto risco de infecção, como as pessoas profissionais de saúde, sobretudo as que lidam directamente com os casos de pessoas infectadas, trabalhadoras e trabalhadores do sexo, pessoas que têm dependência de drogas injectáveis ou que tenham uma relação com outras infectadas.
Disponibilizado pelo Serviço Nacional de Saúde, a PrEP só é acessível a pessoas seguidas na consulta de especialidade num hospital e indicadas pelo médico de família, uma vez que a medicação é unicamente de dispensa hospitalar. 

Portugal tem feito o seu caminho no combate a esta síndrome. Definido pela ONUSIDA, Organização das Nações Unidas para o VIH/SIDA, o nosso País alcançou as metas definidas por este organismo, os 90-90-90 para 2020. Com dados do início do ano passado, 92,2% das pessoas que vivem com infecção estão diagnosticadas, em que 90,2% destas fazem tratamento adequado e das quais 93% têm carga viral indetectável, tornando o risco de contágio quase nulo. Indetectável, igual a intransmissível.

À semelhança de outras doenças graves, vir a descobrir que se está seropositivo para o VIH muda muito a compreensão da vida.
Antes de mais, saber vivenciar permanentemente a verdade, compartilhando-a sempre que possível ou omiti-la de forma responsável quando necessário porque o estigma da doença ainda existe.
Ao cabo de todos estes anos esse estigma, relativamente às pessoas portadoras do vírus, ainda existe na sociedade e de uma forma mais evidenciada em relação aos homossexuais.
Ser seropositiva é também a pessoa encarar uma ‘espécie de iniciação positiva’ à compreensão da vida, da saúde, da doença e da responsabilidade trazida pela sua condição de se passar a ter uma doença infectocontagiosa crónica.

Há diversas formas de encarar a vida e as relações perante a possibilidade de uma pessoa estar exposta ou infectada pelo VIH.
Existem pessoas ‘negativas-positivas’, que são aquelas que não estão infectadas e que tomam cuidado e consequentemente são positivas na sua atitude.
Em sentido oposto existem as ‘negativas-negativas’, que são aquelas que não têm qualquer cuidado ou precaução e que se podem infectar ignorando completamente as consequências para si e para as outras pessoas.

Já as ‘positivas-negativas’ são aquelas que são seropositivas e que têm uma atitude negligente perante a sua saúde e a das outras pessoas com que relacionam.
Finalmente as ‘positivas-positivas’ são as que apesar de serem seropositivas, têm uma atitude responsável e não põem em risco a sua saúde, apesar da sua condição, nem a das outras pessoas com quem se relacionam.

Há que ‘ser-o-positivo’ quer na atitude e no comportamento responsável perante si, quer em relação àquelas pessoas que contraíram a infecção, mostrar solidariedade e não as discriminar.
Na maioria dos casos, a infecção pelo VIH está directamente ligada aos comportamentos de risco das pessoas, independentemente da idade, do seu sexo, da sua sexualidade, raça ou extrato social.
O risco de infecção é transversal a toda a sociedade e todas as pessoas estão em risco se não tomarem as devidas precauções.
E sim, a SIDA ainda existe.

Miguel Rodeia