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Sex Education regressa à Netflix e cheia de surpresas (com trailer)

sex education daniel santos morais

Completados dois anos da estreia de Sex Education (2019), de meses de espera por uma terceira temporada que viu as suas gravações serem adiadas pela pandemia covid-19, a série de comédia-dramática britânica abriu o fim de semana de regresso às aulas, 17 de Setembro, cheia de novidades, alcançando rapidamente o top 10 das estreias da Netflix  em Portugal e, assim, permanecendo no top das séries mais vistas. 

 

Por falar no regresso às aulas… Regressamos também a Moordale Secondary, a popular “Sex School”, a escola que serve de palco a problemas reais vividos no período da adolescência, criando espaço para o diálogo sobre a descoberta da individualidade, do corpo e da identidade sexual, ferramentas essenciais para que os jovens assumam um empoderamento nas suas vidas pessoais. Moordale conta-nos, ao longo de três temporadas repletas de momentos de humor e de drama, o importante  comprometimento com os temas da sexualidade, do consentimento, da inclusão e da  diversidade que, permanecem, tantas vezes, censurados, comprometendo a educação,  a saúde e a integridade física e moral de tantos jovens e adultos.  

Nesta terceira temporada, exploramos uma vez mais as vidas de Otis (Asa Butterfield) e  Maeve (Emma Mackey), protagonistas das ilícitas consultas da “Clinica do Sexo” e da  decifração do surto de clamídia na temporada anterior; das revelações de um possível trio amoroso entre Eric (Ncuti Gatwa), Adam (Connor Swindells) e Rahim (Sami  Outalbali); da denúncia dos casos de assédio sexual e descoberta feminista encetado  por Aimee (Aimee Lou Wood); do Cosplay e (re)descoberta das preferências sexuais na  relação entre Ola (Patricia Allison) e Lily (Tanya Reynolds); ou ainda da inesperada  gravidez tardia da terapeuta Jean Milburn (Gillian Anderson) com Jakob Nyman (Mikael  Persbrandt), obrigando-os a uma repentina reconfiguração das suas vidas familiares e  de um dos momentos mais breath taking desta temporada.  

Ao longo de oito novos episódios, Laurie Nunn, permite-nos aprofundar mais dos personagens, como acontece com a revelação do lado sensível e do complexo de  rejeição, dos até então vilões, Mr Groff (Alistair Petrie) e Ruby (Mimi Keene), assim como o presenteio de novas personagens, não binárias, ao elenco. Cal (Dua Saleh) e Layla (Robyn Holdaway), jovens estudantes que chegam a Moordale para alimentar o  culto da comunidade LGBTQI+ e, que, acabam por cair rapidamente no regime repressivo criado por Hope Haddon (Jemima Kirke), a nova directora e vilã de Moordale, que tenta não só anular a identidade daqueles jovens por meio de um regime escolar autoritário, espalhando o medo e desinformação sobre a sexualidade, como acaba por deixar o futuro da escola e de todos os estudantes em terreno incerto com a venda da  escola a interesses privados. 

O elenco de Sex Education, apesar de bastante juvenil, mostra-nos através de um humor ácido, a seriedade de assuntos reais do dia-a-dia. Entre os problemas sexuais na  adolescência como a descoberta da sexualidade, o questionamento das preferências  sexuais, a importância da contracepção e resposta às IST, a discussão em torno do  consentimento, do assédio sexual e do aborto, da psicologia clínica, da força da  sororidade, dos feminismos e da igualdade de género, do perigo das masculinidades  tóxicas aos complexos problemas de desestruturação familiar.  

Através de uma mescla de realidades sociais, intrínsecas ou não à sexualidade, dentro  ou fora das portas da Escola, Sex Education mostra-nos um novo olhar sobre a Educação Sexual, criando espaço para o questionamento e naturalização de assuntos que dizem  respeito à vida de cada indivíduo, devendo ser encorajados pelas instituições escolares, garantidos e regulados pelo Estado, possibilitando desta forma o combate às diversas formas de discriminação e estigmatização social, estimulando o respeito pela diversidade e pela inclusão da diferença, pelo desenvolvimento social e qualidade de  vida de cada um de nós sem exclusões. 

 

Daniel Santos Morais é mestre em Sociologia pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Licenciado em Estudos Europeus pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.