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“Um [dirigente do CDS] acha que a minha orientação sexual pode ser curada”

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Adolfo Mesquita Nunes, ex-vice-presidente do CDS-PP, aponta num artigo publicado esta terça-feira no Jornal de Negócios, várias questões ao novo presidente do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos e à equipa que integra a direcção do partido.

“Não sabemos, por exemplo, se a integração de dirigentes profundamente conservadores (um deles acha que a minha orientação sexual pode ser curada, por exemplo; só não me ofereço como cobaia para o provar errado porque tenho coisas melhores para fazer) é mero arranjo de listas ou se, ao invés, importa para o discurso da direcção esse conservadorismo de quem considera Aristides Sousa Mendes um agiota de judeus. Não sabemos se quem foi contra um partido catch-all se vai sentir bem numa direção que vai do mais profundo conservadorismo ao liberalismo: uma direcção catch-all, no fundo”, refere Adolfo Mesquita Nunes, que não identifica no artigo qual o dirigente do partido que acredita que a homossexualidade "pode ser curada". 

Para o ex-vice-presidente, o CDS “é muito vulnerável a questões de identidade política” (…) “Nada diz que Francisco Rodrigues dos Santos não consiga fazer o mesmo, apesar de, ou com a legitimidade de ter chegado a presidente provocando o debate identitário à exaustão. Se souber não ceder às pressões das tendências que acolheu, se souber descobrir em si outra vocação que não a de representante de valores, isso não será impossível, sendo certo que a tendência para o debate identitário pode intensificar-se à conta da concorrência dos partidos emergentes (uma expressão feliz de Francisco Rodrigues dos Santos)”, escreve no mesmo artigo. 

O Observador já tinha recordado as posturas homofóbicas do presidente da concelhia do CDS do Porto, Miguel Barbosa, que passou agora a vice-presidente do partido agora comandado por Francisco Rodrigues dos Santos. Quando era presidente da distrital da Juventude Popular (JP), Miguel Barbosa anunciou que ia pedir ao Governo Civil que impedisse qualquer desfile no âmbito da Semana do Orgulho Gay, que estava a ser planeado para o Porto. “Não é com desfiles ordinários que se consegue seja o que for”, disse na altura. Miguel Barbosa afirmou ainda na época que “a sexualidade de cada um é assumida na intimidade e no recato do lar” e classificou a homossexualidade como “uma doença que não é normal”.

Na altura, João Almeida era líder nacional da JP e emitiu um comunicado onde garantia que a “opinião pessoal deste dirigente [Miguel Barbosa] a ninguém mais vincula, não correspondendo em absoluto a qualquer tomada de posição da Juventude Popular quanto ao tema versado (…) Entendemos que o direito à manifestação faz sentido na medida em que não ponha em causa a ordem pública e o equilíbrio social”. A primeira Marcha do Orgulho LGBTI do Porto só viria a ocorrer em 2006. 

No congresso do CDS deste fim-de-semana, Adolfo Mesquita Nunes apoiou a candidatura liderada por João Almeida, entretanto vencida.