Não podia ser mais exemplar. Ao mesmo tempo que a equipa portuguesa derrotava a húngara (num estádio que custou uma fortuna corrupta, e onde se ouviram, impunes, insultos homofóbicos contra os jogadores portugueses), o parlamento húngaro (que já não representa de facto o povo, tal o âmbito das mudanças constitucionais feitas por Orbán) aprovava uma cópia da lei da “propaganda gay” russa.
Trata-se de confundir pedofilia com homossexualidade (onde já vimos isto?) e, à pala disso, proibir produtos, representações, conteúdos, ensino, de tudo o que aluda a questões LGBT a pessoas com menos de 18 anos.
Não vale a pena focar só em países fora da Europa quando se quer exemplos de como a igualdade ainda não se espalhou pelo mundo. Isto passa-se na Europa e, dentro desta, na União Europeia (e o caso não é único, veja-se a Polónia e as suas “zonas livres de LGBT”). Milhares de húngaros protestaram, nós protestaremos certamente na Marcha do Orgulho LGBTI+ de Lisboa do próximo sábado. Mas o que todos merecemos é um protesto, e com consequências, da União Europeia. Ao mesmo tempo que devemos continuar a marcar golos nos direitos, assegurá-los e acarinhá-los, promovê-los. Propagandeá-los, sim.
Isto passa-se na Europa e, dentro desta, na União Europeia.
Por feliz acaso, hoje mesmo vou falar com professores e outros agentes de educação, sobre questões LGBT na Educação para a Cidadania. Trabalho de formiga, o melhor de todos. Por outro feliz acaso (claro que não é por acaso, é fruto de quem dirige a instituição) a sessão será no Museu do Aljube, o museu que guarda a memória da repressão da ditadura portuguesa. Houvesse já na época da ditadura uma definição de identidades LGBT tão clara e pública como há hoje, e certamente uma Lei Orbán teria sido implementada. Aconteceu ao contrário: é Orbán que se inspira nas ditaduras que assolaram a Europa.
Miguel Vale de Almeida



Um Comentário
Amigo
A mudança da maneira de pensar da Sociedade “Conservadora” passa por substituir a palavra “Orientação” por “Atração” sexual! Sempre menciono esse “detalhe” e digo que se fôssemos “orientados” seríamos todos os chamados “heteros”! Com 15 anos (em plena década de 80), Regime Militar no Brasil, tive que conciliar participar um pouco da aula de educação fisica, para conversar, depois, com meu professor, ávido que estava já, em conhecer a personalidade de um homem: ouvia sua História! Chegava a suspirar ouvindo-o e contemplando!