O festival de cinema volta à Invicta de 4 a 8 de Novembro e traz 40 filmes ao Batalha Centro de Cinema, à Casa Comum da Reitoria da Universidade do Porto e ao Passos Manuel. Deixamos-te cinco sugestões de filmes, um por dia, em quatro temáticas diferentes. Hoje, “diversidocumentar” as margens, ou seja, pôr a lente sobre a diversidade das realidades queer – das dinâmicas sexuais, às expressões artísticas e aos legados vivos, de arquivo, ou de futuro.
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Dia 4 | Terror Nullius, Soda Jerk | Batalha, 19h15
Sinopse: Uma fábula de vingança política que oferece uma não-escrita da mitologia nacional australiana. Este filme experimental baseado em amostras de outros filmes, funciona inteiramente dentro, e contra, o arquivo oficial, de forma a obter uma visão queer do cinema australiano. Parte sátira política, eco-terror e road movie, o filme é um mundo no qual minorias e animais conspiram, e onde homens brancos não muito simpáticos terminam em último lugar. Onde as praias paradisíacas promovem tumultos raciais, os governos votam nos direitos do amor, e os perigos da hipermasculinidade são ofuscados apenas pelo horror persistente do mito colonizador australiano da terra nullius.
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Dia 5 | In Hell with Ivo, Kristina Nikolova | Batalha, 18h
Sinopse: O artista e compositor queer búlgaro Ivo Dimchev transforma os desafios pessoais e sociais em provocadores espectáculos públicos e privados, explorando corajosamente a sexualidade, a identidade, a fé e o activismo, numa libertadora celebração da visibilidade queer.
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Dia 6 | Passion, Maja Ray Borg | Batalha, 17h15
Sinopse: Um filme sobre nostalgia, cura e pertença. Adoptando rituais e jogos da prática queer BDSM e da sua própria herança cristã, Maja Ray Borg procura recuperar a intimidade e restabelecer limites na sequência de uma relação destrutiva.
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Dia 7 | Fluidø, Shu Lea Cheang | Passos Manuel, 22h
Sinopse: No futuro pós-sida de 2060, onde o Governo é o primeiro a declarar a era livre do vírus da sida, os vírus mutados da sida dão origem aos Zero Gen – humanos que evoluíram geneticamente de uma maneira única. Estes gender fluid Zero Gens são os portadores da droga biológica cujo fluido branco é o hipernarcótico do século XXI. A ejaculação desses seres é viciante e é uma nova forma de mercadoria sexual no futuro. Começa então uma nova guerra contra as drogas e os Zero Gen são declarados ilegais. O Governo envia replicantes resistentes à droga para missões com o intuito de prenderem os Zero Gen. Quando o centro de prazer de um desses androides imunes do Governo é activado, a história transforma-se num enredo complexo onde Zero Gens são apanhados entre os senhores da droga do submundo, super-agentes, uma corporação duvidosa e um governo corrupto.
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Dia 8 | Outlasting – Living Archives of Older Queers, Ana Cristina Santos, Nuno Barbosa | Batalha, 17h15
Sinopse: Outlasting – o verbo tem muitos significados e nuances: resistir, permanecer, persistir. As pessoas queer mais velhas são hoje mais importantes do que nunca. Esta geração lembra-se muito bem de como é fácil para os regimes autoritários retirar direitos que são dados por garantidos. Para evitar repetir os erros do passado, precisamos de nos lembrar para não esquecer. Numa corrida contra o tempo, cada palavra que recolhemos das pessoas extraordinárias que conhecemos na Grécia, Itália, Malta, Portugal e Eslovénia é um tesouro e ajudará as gerações futuras a compreender quem somos, aprendendo de onde viemos. Este legado contribuirá para um mundo mais seguro, baseado na democracia, na liberdade e na generosidade.
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Foto: In Hell with Ivo
Pedro Leitão


