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Um guia para o Queer Lisboa 2020

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O Queer Lisboa – Festival Internacional de Cinema Queer, anunciou a programação completa da sua 24.ª edição, a decorrer de 18 a 26 de Setembro de 2020, no Cinema São Jorge e na Cinemateca Portuguesa.

 

O festival revelou que o Filme de Abertura do Queer Lisboa 24 será “Los Fuertes”, de Omar Zúñiga, a exibir na noite de 18 de Setembro. Estreado no Festival Internacional de Cinema de Valdivia em 2019, o filme, que desenvolve uma narrativa já anteriormente explorada pelo realizador na curta-metragem San Cristóbal, vencedora do Teddy Award na Berlinale de 2015, fala-nos do encontro e da paixão entre Lucas e o contramestre Antonio, numa aldeia remota no sul do Chile onde Lucas se encontra a visitar a sua irmã.

O Filme de Encerramento do Festival será “Petite Fille” (2020), de Sébastien Lifshitz. Estreado na 70ª edição da Berlinale, em 2020, festival onde Lifshitz fora já anteriormente vencedor de dois Prémios Teddy, o documentário acompanha a petite fille do título, Sasha, e a sua incansável família, irredutível na luta pela afirmação da identidade da filha e a sua aceitação nas várias dimensões da esfera social e, sobretudo, no meio escolar.

 

Competição longas

O Júri da Competição de Longas-Metragens é composto pelo artista plástico e poeta André Tecedeiro, a programadora de cinema Joana Ascenção e o actor e realizador Miguel Nunes. Um total de oito filmes fazem parte desta competição. Em “El Cazador”, de Marco Berger, estreado na mais recente edição do Festival Internacional de Cinema de Roterdão, Ezequiel, um adolescente em pleno despertar sexual, vê-se preso numa armadilha que o força a escolher entre ver exposta a sua sexualidade ou colaborar com um esquema de pedofilia.

Vencedor do Queer Lion no Festival de Cinema de Veneza em 2019, “El Príncipe”, de Sebastián Muñoz, transporta-nos ao Chile dos anos 70 onde encontramos Jaime que, depois de sem razão aparente assassinar um amigo e ser enviado para a prisão, encontra protecção e afecto na relação com El Potro, um prisioneiro mais velho, líder de um dos grupos que disputam o poder dentro do estabelecimento prisional. Da argentina Clarisa Navas chega “Las Mil y Una”, que teve estreia mundial na Berlinale de 2020 e convida a entrar na relação de Iris e Renata que, com o seu grupo de amigos, vão formar uma resistência queer aos preconceitos e boatos que envolvem a presença de Renata no bairro marginalizado em que vivem; com um largo percurso em festivais internacionais segue-se “Lingua Franca”, de Isabel Sandoval, onde seguimos Olivia, uma mulher transgénero filipina que trabalha como cuidadora de uma idosa em Brooklyn, e procura desesperadamente alterar a sua situação legal no país através de um casamento arranjado para obter o visto de que precisa.

Em “Make Up”, longa-metragem de estreia de Claire Oakley, somos conduzidos a um prosaico parque de roulottes na Cornualha onde, na época baixa, Ruth chega para visitar o seu namorado. Quando o mundano começa a dar lugar ao fantástico e Ruth conhece a enigmática Jade, a sua percepção da realidade altera-se irremediavelmente. “Neubau”, de Johannes Maria Schmit, leva-nos à Alemanha para além dos grandes centros urbanos e ao encontro de Markus, um jovem homem transgénero que cuida das suas avós, enquanto anseia pela mudança para, precisamente, a grande cidade onde espera encontrar uma família queer escolhida que colmate a sua solidão e seja também destinatária do seu amor. 

No filme sensação da Berlinale de 2020, “No Hard Feelings”, de Faraz Shariat, vencedor do prémio Teddy de melhor longa-metragem, descobrimos o que acontece a Parvis, jovem alemão de ascendência iraniana que divide o seu quotidiano entre raves, engates no Grindr e cultura pop, quando conhece os irmãos Banafshe e Amon num centro de refugiados onde foi forçado a fazer trabalho comunitário, e a atracção cresce entre Parvis e Amon. Na pequena cidade do estado de Goiás, no Brasil, decorre “Vento Seco”, de Daniel Nolasco. Presente na mais recente edição da Berlinale, o filme segue Sandro, um homem gay que passa os dias entre jogos de futebol com os amigos e o trabalho numa fábrica de fertilizantes, e vê a sua rotina desestabilizada com a chegada de Maicon, um novo e misterioso colega por quem sente uma atração irresistível.

Documentários
O Júri da Competição de Documentários é este ano composto pela realizadora e antropóloga Catarina Alves Costa, pela apresentadora da RTP Margarida Mercês de Mello, e pelo actor e activista Paulo Pascoal. Fazem parte da competição oito títulos.

“All We’ve Got”, de Alexis Clements, olha para a enorme quantidade de locais onde as mulheres queer encontravam um sentido de pertença e um espaço físico de encontro nos Estados Unidos da América, que desde 2010 foram encerrando. Entre livrarias, bares e espaços comunitários, o filme atenta na importância fundamental que estes espaços têm para as mulheres na comunidade LGBTQI+. “La Casa dell’Amore”, de Luca Ferri, estreado na Berlinale de 2020, faz um retrato de Bianca, uma mulher transgénero que vive em Milão e é trabalhadora do sexo, e que mantém uma relação com Natasha, também ela uma mulher transgénero que vive no Brasil. 

Em “Miserere”, de Francisco Ríos Flores, somos envolvidos pelo calor sufocante de Buenos Aires, e na praça que dá o nome ao filme observamos um grupo de rapazes trabalhadores do sexo enquanto ouvimos as suas reflexões, atiradas contra a ensurdecedora agitação do espaço que os envolve. Em “Queer Genius”, de Chet Catherine Pancake, são examinadas as vidas criativas de artistas queer não brancas e de mulheres artistas LGBTQI+. Em “The Art of Fallism”, Aslaug Aarsæther e Gunnbjørg Gunnarsdóttir acompanham algumas das vozes do movimento de descolonização iniciado em 2015 na África do Sul com o derrubar da estátua de Cecil Rhodes na Cidade do Cabo, enquanto esta servia uma memória que não a dos corpos e realidades que constituem a sua população. Em “Toutes les Vies de Kojin”, de Diako Yazdani embarcamos numa viagem pelas contradições do povo curdo face às questões da sua comunidade LBGTQI+ que, na procura pela liberdade proclamada por este povo, encontra obstáculos devido à força de uma religião que não se mostra receptivo a reconhecer a diferença. 

Depois de uma passagem pela Berlinale de 2020, em “Vil, Má”, Gustavo Vinagre traz para a ribalta a rainha da literatura sadomasoquista brasileira Wilma Azevedo que, sem medo ou pudor, conta a história da sua vida, recordando os detalhes mais deliciosos recheados de erotismo; chegamos, por fim, ao urgente “Welcome to Chechnya”, de David France, que acompanha a luta pelos direitos humanos de corajosos activistas na Chechénia onde, perante a brutal ameaça à existência das pessoas LGBTQI+, este grupo actua na clandestinidade com o objectivo de resgatar vítimas.

O Júri da Competição Queer Art, composto pelo curador Hugo Dinis, pelo director de fotografia Sérgio Braz d’Almeida e pela coreógrafa e dramaturga Sónia Baptista, terá a seu cargo premiar um dos oito filmes que compõem este programa, dedicado a linguagens mais experimentais.

A Competição de Curtas-Metragens tem este ano como Júri o realizador José Magro, o actor Ricardo Barbosa e a artista e pesquisadora Rita Natálio. Ao todo, 21 filmes compõem a competição. O mesmo júri avaliará a Competição “In My Shorts” de filmes de escolas de cinema europeias.