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Variações no MUDE: o retrato de quem ousou ser inteiro



O Museu do Design e da Moda, em Lisboa, inaugura em dezembro uma exposição inédita dedicada a António Variações — um artista que fez da imagem o prolongamento da sua voz e da diferença um ato de liberdade.

Entre 3 de Dezembro de 2025 e 26 de Abril de 2026, o MUDE – Museu do Design e da Moda (Rua Augusta 24, Lisboa) apresenta “Meu Nome António”, uma homenagem ao universo estético e simbólico de António Variações.

O projecto é comissariado por Bárbara Coutinho, directora do museu, em colaboração com a produtora Terra Esplêndida, e reúne 85 fotografias captadas entre 1981 e 1983 por Teresa Couto Pinto, amiga e agente do artista.

As imagens mostram Variações em estúdio, em performance e nos bastidores da sua criação, oscilando entre o kitsch e o punk, o rural e o urbano, o masculino e o feminino — uma fusão que, em plena década de 80, desafiava normas de género e expressão artística.

Entre as mais marcantes está a fotografia em que o cantor “finge espetar uma tesoura no peito”, símbolo da rutura com a tradição e da vontade de transformar o corpo em manifesto.

A exposição inclui ainda peças de vestuário e acessórios usados pelo músico, sublinhando o papel da moda na construção da sua persona pública. O percurso convida o visitante a refletir sobre o design e a moda como linguagens de identidade e liberdade, num tempo em que Portugal começava a reinventar-se culturalmente.

Com entrada a partir de 11 euros e descontos para residentes em Lisboa, “Meu Nome António” estará patente na Sala dos Cofres do MUDE, de terça a domingo, das 10h às 18h (sexta e sábado até às 20h).

Quarenta anos após a sua morte, António Variações continua a inspirar, não apenas pela música, mas pela coragem de ter sido, e mostrado, quem era.

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Crédito da foto: Teresa Couto Pinto

Bruno Kalil

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