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Nem na mata se encontram histórias assim

À 17ª edição, foram estas as reivindicações no Orgulho LGBTI de Lisboa (com vídeo)

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É uma das marchas reivindicativas portuguesas com mais organizações presentes. Nem todas estas associações e colectivos dirigem o seu trabalho primordial junto de pessoas LGBTI, mas são unânimes na luta contra a discriminação e na defesa da igualdade. A marcha mais colorida da capital do país contou este ano com 21 organizações e ainda um colectivo recente que levou uma das maiores ovações da tarde: Colectivo de Mulheres Negras Lésbicas de Lisboa - Zanele Muholi (artigo em construção).

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A actriz Jenny Larrue, presença habitual nos shows do Finalmente, acompanhou o percurso da marcha e depois foi a anfitriã de quem subiu ao palco. Sabe aqui, em síntese, o que defenderam os activistas da marcha que sublinhou a importância de “celebrar as diferenças, transcender o género".

 

 

 

Alice Cunnha e Ana Aresta.jpgApós Alice Cunha e Ana Aresta, da organização da marcha, terem proferido as palavras iniciais, e também de Catarina Marcelino, numa representação inédita do Governo Português nestas andanças, ter discursado foi a vez do médico Bruno Maia. O médico do GAT - Grupo de Ativistas em Tratamentos tomou a palavra para falar da importância de agir para evitar a propagação do VIH:  

 

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“Foi a homofobia que matou 50 cidadãos LGBT em Orlando e continua a matar e o silêncio mata. As infecções por VIH estão a aumentar. Mas não tem de ser assim. Hoje temas uma ferramenta que nos ajuda a combate-las. Chama-se PrEP e é 99% eficaz. O nosso Governo sabe que existe a PrEP, as nossas autoridades de saúde sabem que existe há pelos cinco anos, mas não nos deixam ter a PrEP. Só no CheckpointLx, desde o início do ano, 50 novas pessoas foram diagnosticadas com VIH.”

 

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Helena Braga e Rita Seara das actiBIstas - colectivo pela visibilidade bissexual consideraram: “Não estamos sós, dos nossos corpos faz-se a voz que grita. Transcendemos o género, transcendemos a norma, temos orgulho na diversidade, a força que nos transforma”.

 

Isabel Perez, APF - Associação para o Planeamento da Família, pôs a tónica nos seguintes aspectos: “ “Reconhecemos que as pessoas lésbicas, gays, bis e trans continuam a ser alvo de inúmeras repressões e violências que as impedem de se expressam livremente. O bullying homofóbico e transfóbico é uma realidade diária nas ruas, nas escolas, nos locais de trabalho. Os crimes de ódio continuam a existir. […] Estamos aqui para homenagear todas as vítimas, mas também para lutar em conjunto para que mais nenhuma possa existir. Este ano assinalamos os 10 anos do aniversário do assassinato de Gisberta, um crime horrendo com motivações transfóbicas. […] A APF está aqui hoje para não deixar silenciar a vulnerabilidade tremenda das pessoas trans, sobretudo as que realizam trabalho sexual estão sujeitas. Projecto Transporta é testemunho dessa imensa vulnerabilidade. […] A mudança social […] só é possível através da educação sexual e principalmente da educação cívica.”

 

A Presidente da rede ex aequo, Cátia Figueiredo, apontou estes pontos, entre outros, no seu discurso:  “Saímos à rua para mostrar aos imensos jovens que ainda não conseguem estar aqui que juntos e visíveis somos mais fortes. Nem em espaços exclusivamente LGBT estamos seguros, por isso o espaço público tem de ser nosso. Precisamos de educação sexual nas escolas, que ainda não é implementada pelo Governo Português apesar de estar aqui presente!”

 

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Pela organização estreante nestas andanças, Academia Cidadã falou o activista João André Labrincha, que fazendo um analogia entre uma fogueira e os preconceitos de que a comunidade LGBT e queer é alvo, detalhou uma a uma as categorias que é preciso, mesmo dentro desta comunidade, evitar para extinguir este fogo, estas lutas e fobias entre pares. De vez. A solução passa por nos dedicarmo-nos a uma série de bons conselhos - que tens de ouvir no vídeo abaixo.

 

 

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A porta-voz da ILGA Portugal, Joana Peres, deu os Parabéns à maior marcha de sempre. Joana assinalou os 20 anos da associação e sublinhou o facto que só agora a discriminação na lei ter acabado em relação à adopção e à procriação medicamente assistida, mas considerou que “ainda está tudo por fazer” e só com liberdade o poderemos alcançar. Os casos de Afife e do Colégio Militar também foram mencionados.

 

 

 

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Do colectivo Lóbula, Alice Cunha lembrou Gisberta que “foi assassinada por um sistema tóxico de desumanização” e questionou o que avançamos nas nossa resistência diária e no combate colectivo a esse sistema. “Terá a batalha acabado?” perguntou. Teriam as leis de hoje salvo Gisberta? A resposta do colectivo Lóbula, também para ver no vídeo. Já Bruno mencionou as opressões diárias a que a comunidade LGBTQI ainda é alvo, lembrou Gisberta e Orlando, porque “enquanto durar esta violência durará também a nossa luta”, concluiu.

 

Lembrando igualmente Orlando, Paula Gil das Panteras Rosas, o colectivo de combate à lesbigaytransfobia, afirmou “a natureza homofóbica, lesbofóbica e transfóbica de um crime de ódio se viu totalmente apagada [dos média norte-americanos] pela narrativa fácil de ‘foram apenas mais umas vítimas do terror fundamentalista islâmico’. E, nós, pessoas LGBT e queer, que em tantos países somos realmente perseguidas pelos fundamentalismos islâmicos e também cristãos, sabemos bem o que é o terror, a violência. E sabemos que deste tipo de violência nenhum estado tem o seu exclusivo”. Paula Gil falou ainda da política norte-americana no que respeita à violência, ao porte de armas, dos líderes religiosos que com discursos de ódio usam o chapéu da liberdade de expressão e de leis recentes como as que impedem as pessoas transgénero de irem à casa de banho do género com que se identificam. As Panteras não esqueceram ainda as pessoas LGBT ou não que são alvo de violência física e psicológica às mãos do DAESH (ISIS). Gisberta e Santiago também foram lembrados como: 'um pouco de Orlando em Portugal'. Todo um discurso, com garras de fora, para ver e ouvir atentamente mais abaixo. 

 

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Mãe e filha, Susana e Marta, protagonistas da campanha "Isto é o que parece. Isto é amor" falaram em nome da AMPLOS. Ambas, em palco, lembraram que o apoio da família é fundamental e porque nem todas as famílias são iguais deixaram o apelo para que quem precise de apoio contacte a associação.

 

 

 

 

 

 

Da Marcha Mundial das Mulheres, Serena declarou: “Queremos mais uma vez chamar a atenção para a violência que as mulheres são vítimas numa sociedade profundamente machista. As mulheres lésbicas sofrem de uma dupla discriminação: de género e de orientação sexual.”

 

A UMAR encontra-se desde o início nas marchas do Orgulho LGBT em Portugal: Braga, Porto, Coimbra e Lisboa. Olímpia Pinto saudou quem denuncia "a violência que mata todos os dias" e foi a única presente a denunciar o veto presidencial na maternidade de substituição.

 

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O histórico presidente da Opus Gay, António Serzedelo, deu os Parabéns a todos os que fizeram da marcha de Sábado a maior de sempre. “O Dia do Orgulho Gay, apesar de ser um dia de alegria, é também um dia de reivindicações”. Serzedelo frisou a importância de se legislar contra a homofobia; da mudança de paradigma em relação aos idosos, aos deficientes e aos portadores de VIH. Serzedelo falou ainda do projecto da criação, em Lisboa, de um memorial de homenagem aos cidadãos LGBT vítimas de ódios vários ao longo da história

 

Do movimento PolyPortugal, Isabel Martinez, lembrou que o que estava ali a acontecer, em outros países é crime ou termina em violência. “E o crime é apenas um e igual ao nosso: ‘existir’”. Isabel falou da violência, da precariedade e da sexualidade policiada. A sociedade hetero, cis, mono, normativa é a causadora dos problemas. Isabel falou ainda de todos os tipos de amor, “porque o amor não se divide, multiplica-se”, atirou.

 

Ângela da Amnista Internacional frisou o facto de ainda haver pena de morte em vários países para os homossexuais. “Por todas as pessoas sem voz, apelamos todos os dias à acção, e à luta.”

 

Sofia da associação de combate à precariedade Precários Inflexíveis, apontou que a PI "não se revê numa luta que quer acabar com a exploração, mas ignora todas as outras formas de opressão e discriminação. De que nos vale lutar por trabalho com direitos, se todos nós não temos os mesmos direitos?”

 

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Geanine Escobar, do Colectivo de Mulheres Negras Lésbicas de Lisboa - Zanele Muholi, arrancou uma das maiores ovações da tarde. Num discurso sentido e de cartazes em punho, Geanine declarou poesia que encheu o peito de ar de quem as ouvia: “Mulheres negras e lésbicas são como coletes à prova de balas preparadas pela vida para suportar o racismo, o eurocentrismo, a gordofobia, o machismo e todos os tipos de opressão de género, de raça e de classe". Um discurso absolutamente imperdível sobre mulheres negras quase a rematar a tarde e que foi ovacionado várias vezes pela multidão (Brevemente poderás saber mais no dezanove sobre estas autênticas forças da natureza).

 

No fim, pelo SOS Racismo, Letícia agradeceu a vinda da marcha na Festa da Diversidade que decorria no mesmo espaço. E João Afonso, verador dos Direitos Sociais da Câmara Municipal de Lisboa, também agradeceu a presença de todos deixando convite a integrar as actividades previstas por esta entidade.


Integraram ainda a organização da marcha ainda as seguintes associações e colectivos: Bichas Cobardes, Conselho Nacional da Juventude, Grupo Transexual Portugal, não te prives, O Clítoris da Razão e Rota Jovem. 

 

E foi assim, do Príncipe Real para a Ribeira das Naus. E da Ribeira das Naus para o mundo da internet. Discursos completos para serem vistos na íntegra aqui. 

 Créditos do vídeo: Academia Cidadã

 

Paulo Monteiro

 

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