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Nem na mata se encontram histórias assim

Doggers, cruising gay no Estádio do Jamor por António da Silva e Miguel Arroja

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Para mais um filme onde a arte da pornografia gay é a rainha, António da Silva foi ao encontro de uma das mais emblemáticas zonas de cruising gay do nosso país. A mata do Estádio do Jamor.

Desta vez, e em colaboração com Miguel Arroja, António da Silva decidiu captar aquilo que muitos ouvem falar: o engate nos recantos do parque de estacionamento do Estádio Nacional. Ao longo de 16 minutos António da Silva capta com câmara escondida os momentos em que vários homens, mais novos, mais velhos e de todos os estados civis, se deslocam àquela zona da grande Lisboa para se envolverem sexual e fugazmente dentro de automóveis ou nas imediações dos mesmos.

Ao mesmo tempo ouvem-se na rádio alguns dos ícones portugueses: Futebol, Fado e Política... diferentes tipos de apontamentos interrompidos pontualmente por anúncios publicitários com alguma carga humorística.

Em “Doggers”, termo que António da Silva vai buscar ao inglês, procura-se a comparação com o comportamento que alguns cães têm quando vêem outros cães a terem relações sexuais: algumas vezes participam, mas muitas das vezes só observam.

Miguel Arroja considera este comportamento um "jogo de sedução em marcha lenta" e acrescenta: "subjugada às leis da linguagem, por um lado, e à intensidade do desejo, por outro, a verdade é que a sexualidade humana foge a qualquer tentativa de nomalização, contrariando, assim, tanto a moralidade sexual, quanto a opinião popular". Segundo Arroja "independentemente da sua orientação sexual, há ali homens que desejam outros homens e escolhem um determinado local para desfrutar publicamente os seus desejos. Tudo ali sucede de uma forma demasiado natural e primitiva, que torna fútil qualquer tipo de catalogação." Para o realizador "o cruising/dogging em Portugal sempre foi notícia pelos piores motivos: supostos casos de prostituição, assaltos violentos e investidas de algumas espécies de “melícias populares” anti-gay. O fenómeno nunca foi abordado noutra perspectiva, nunca ninguém quis entender porque estes locais existiam ou existem. Sempre se fez reportagens com base em juízos de valor e nunca se foi mais longe que essa ideia de que há uma corja de pessoas que se juntam e organizam num determinado local para tentar corromper “sexualmente” outros que “ocasionalmente” por lá passam".

As filmagens já têm dois anos, mas só hoje sairam da penumbra para ver a luz do dia. A curta “Doggers” tem estreia marcada no Festival Queer Lisboa 19, que decorre entre 18 e 26 de Setembro.

Até lá o filme pode ser visto online no site do realizador: Aviso: Conteúdo sexualmente explícito. Apenas para maiores de 18 anos. http://antoniodasilvafilms.com/doggers  

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