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"É através do activismo que as coisas realmente mudam"

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Exactamente um mês depois das primeiras notícias que deram conta do terror que se está a viver na Tchetchénia e que motivaram indignação internacional, o dezanove.pt entrevista os responsáveis pelo colectivo "Um activismo por dia" (UAPD). Poucos dias depois das notícias, um grupo até então então desconhecido do grande público organizou um protesto frente à Embaixada da Federação Russa, em Lisboa. Quem são e o que pretendem estes jovens que chamaram a atenção em Portugal para o desrespeito grosseiro de Direitos Humanos a quase 6000 quilómetros de distância? 

 

dezanove: Quem constitui o grupo "Um activismo por dia"? Quando decidiram constitui-se como colectivo e quais os vossos objectivos?

UAPD: Somos um movimento criado por amigos que se conheceram através das redes sociais. Somos pessoas de diferentes idades e áreas profissionais, muitos ainda somos estudantes, mas temos um ponto em comum, todos temos a vontade de fazer alguma coisa para melhorar a sociedade em que vivemos. Somos veganos, e começou um pouco por aí… o veganismo não é só sobre direitos dos animais não humanos, é sobre o direito de todos incluindo os humanos (que tantas vezes se esquecem que também são animais), por isso o nosso colectivo tenta lutar contra todas as opressões e incentivar as outras pessoas a lutar também pelas causas em que acreditam daí o trocadilho: “Um activismo por dia, nem sabe o bem que fazia”, pois é através do activismo que as coisas realmente mudam.

 

Para além de uma óbvia revolta, como surgiu a ideia de organizar o protesto frente à embaixada da Rússia? Foi esta a vossa primeira acção pública?

Já tivemos outro tipo de acções de rua, como entregas de panfletos e afixação de cartazes sobre temas que nos preocupam. Mas esta foi a nossa primeira acção “mais séria”.

 

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Analisada a presença de participantes no protesto, figuras públicas e associações presentes, impacto nos média e voto de pesar no Parlamento. Estão satisfeitos?

Estamos satisfeitos em relação a algumas coisas, não tanto em relação a outras. A manifestação contou com a presença de muitos colectivos (arriscamos a dizer que quase todos os colectivos lgbt+ estavam representados) e várias figuras públicas e isso foi um sucesso. Mas a cobertura dos meios de comunicação foi quase nula, e isso desagradou-nos, esperávamos que os média dessem mais atenção ao assunto. O voto de pesar no parlamento foi de certa forma uma surpresa agradável, não estávamos à espera de uma reação tão rápida do Governo português e ver quase todos os partidos votar a favor foi óptimo.

 

Que leitura fazem da abstenção do PCP neste voto de pesar que uniu todas as restantes forças políticas?

O PCP tomou a sua posição a qual lemos e de certa forma compreendemos, o PCP considera não existirem provas suficientes da existência dos tais “campos”. No entanto estão à espera que haja uma confirmação do governo checheno? Jamais iriam admitir! Para nós os testemunhos, as ameaças à jornalista que expôs o caso e as declarações feitas pelo presidente da Tchechénia, Ramzan Kadyrov, são mais do que suficientes para entender que se passa alguma coisa.

 

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Partilhem connosco a vossa opinião sobre o que ainda falta fazer em Portugal para alterar a situação de quem está a ser perseguido na Tchetchénia. O que pode o cidadão comum, quer o residente, quer o afastado dos centros urbanos fazer para não deixar cair o caso da violação dos Direitos Humanos no esquecimento?

Portugal pode e deve fazer pressão junto do governo russo e tchecheno, algo que pensamos que vai ser feito após o voto de pesar. Existem coisas muito simples que um cidadão comum pode fazer, enviar um e-mail para a embaixada da Rússia em Portugal ou para o governo tchecheno lamentando a forma como homossexuais são tratados no país, assinar as várias petições em vigor ou marcar presença em manifestações quando as mesmas são convocadas, caso haja essa disponibilidade.

 

Que ecos vos chegaram das iniciativas semelhantes à vossa ocorridas no Funchal e no Porto?

Ficamos contentes por ver que outros activistas decidiram mostrar também eles o seu apoio aos gays tchechenos. E apesar de organizadas um pouco em cima da hora, sabemos que as manifestações correram bem e tiveram uma boa adesão. No Porto foram mais de 50 pessoas junto à residência do cônsul honorário da Rússia e estiveram ainda presentes o PAN e a associação AMPLOS.

 

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Há três anos decorreu no mesmo local outro protesto contra as políticas repressivas russas em relação às pessoas LGBT: 16 participantes estiveram na altura presentes. Que leitura fazem disto?

É estranho uma manifestação sobre um tema tão chocante juntar tão poucas pessoas. O que acontece por vezes quando se convocam manifestações é existir uma falta de coordenação entre colectivos ou haver um desinteresse da população ou uma má divulgação. São vários um factores que podem ditar o sucesso ou não de uma "manif" e nem sempre depende de quem a organiza. Por vezes há temas que captam mais a atenção do que outros. Por exemplo a manif de 15 de Setembro de 2012 foi uma das maiores de sempre, havia um factor que unia todas as pessoas, a revolta pela recessão económica e pelas imposições da troika, se calhar quando falamos de gays a maioria das pessoas não se identifica porque não são elas as “vitimas”.