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Caso Passadeiras Arco-Íris: Romeu Monteiro desfilia-se do CDS-PP

Romeu Monteiro e Asunção Cristas.png

O caso das passadeiras arco-íris na freguesia de Arroios em Lisboa, entretanto suspensas, continua a fazer baixas no partido liderado por Assunção Cristas.

 

Depois de Vitor Teles, autor da proposta das passadeiras arco-íris, ter saído do partido é a vez de Romeu Monteiro, conhecido activista de defesa das pessoas LGBTI e membro da lista de coligação liderada pelo CDS à Assembleia de Freguesia de Arroios.

“As atitudes das lideranças do CDS perante a controvérsia gerada em torno das passadeiras arco-íris foram absolutamente inaceitáveis. Em solidariedade com os meus colegas eleitos do CDS Arroios e em coerência comigo próprio pedi a desfiliação do partido.”

Numa carta aberta publicado no jornal SOL, Romeu Monteiro apresenta as razões da sua desfiliação do CDS e não poupa crítica à líder centrista: “Esta não é uma história sobre passadeiras arco-íris. É uma história sobre cobardia, traição aos eleitores e política de armário.” O jovem membro do CDS justifica a desfiliação com a cronologia de acontecimentos e argumentos:

  • A 29 de Abril, a Assembleia de Freguesia de Arroios aprovou a pintura de duas passadeiras arco-íris para marcar o dia 17 de Maio, data em que a Organização Mundial de Saúde deixou de considerar as pessoas homossexuais como doentes mentais (17 de Maio de 1990), por proposta dos autarcas do CDS.
  • A acção simbólica e de baixo custo na Avenida Almirante Reis, em Lisboa, não criou controvérsia na Assembleia de Freguesia, tendo sido aprovada por unanimidade.
  • No entanto, a visibilidade na comunicação social em torno das passadeiras levou a condenações públicas, a começar pelo Presidente da Distrital de Lisboa, João Gonçalves Pereira, que umas semanas antes tinha apoiado a criação de um Centro LGBTI na mesma freguesia. O coro de críticas, onde também encontramos o nome do centrista Abel Matos Santos, é composto por vozes fanáticas que consideram que “apoiar umas comunidades é atacar outras, para quem defender umas famílias é anular outras” relata Romeu Monteiro.
  • Assunção Cristas permanecia em silêncio, mas ao fim de 3 dias, cedeu à turba e decidiu quebrá-lo através de um e-mail enviado a todos os militantes do partido, que assinou em conjunto com o presidente da concelhia de Lisboa: “não só se demarcam da iniciativa como a condenam e garantem sombriamente que tal "não voltará a ocorrer"” Segundo Romeu Monteiro esta foi a gota de água: “Um e-mail rico em ambiguidade, mas falido de qualquer argumento que o justificasse” aponta o jovem.
  • O que os políticos fazem, a forma como votam, é eminentemente pública e tem de ser coerente com o que dizem ao público. Assunção Cristas não foi capaz de fazer isto. Cedeu a uma turba de fanáticos homofóbicos […] não conseguiu dizer sequer que as pessoas homossexuais não são doentes mentais e que não há nada de errado em lembrar e celebrar isso. Mostrou não ter espinha para defender as suas convicções e os seus, mostrou não ter espinha para defender sequer um pequeno gesto de humanidade para com os outros. O CDS e os portugueses precisam e merecem políticos a sério, líderes capazes de defender o que votam e de votar de acordo com o que defendem. […] Assunção Cristas demonstrou não ser uma delas. Quem não tem capacidade para defender os seus princípios e os seus autarcas, não merece liderar o CDS, e muito menos merece liderar o país.”

Recorde-se que a própria Presidente da Junta de Arroios, Margarida Martins, do Partido Socialista, admitiu entretanto ao Observador que não pode ser feita uma passadeira colorida: “É ilegal. Não podemos”. As sinalizações rodoviárias, por lei, têm de estar pintadas de branco, explicou a autarca.

Curiosamente não é o que pensa a União Europeia. No mesmo dia em que esta notícia é publicada, em Bruxelas, frente ao Parlamento Europeu, é pintada uma passadeira com as cores do arco-íris de forma a assinalar o Dia Internacional de Luta contra a Homofobia e Transfobia.

Fotos: Facebook de Romeu Monteiro e Luís Rhodes Baião