a saber

Direcção da ILGA Portugal demite-se e abre caminho a eleições



A actual Direcção da ILGA Portugal apresentou a demissão à Mesa da Assembleia Geral, depois de dois anos de mandato. A equipa diz sair de «cabeça erguida» e considera que é chegado o momento de dar lugar a uma nova Direcção, garantindo que a associação mantém a sua actividade e serviços em pleno funcionamento.

A Direcção da ILGA Portugal apresentou, em meados de Agosto, a sua demissão à Mesa da Assembleia Geral, confirmou a própria associação ao dezanove.pt. A decisão foi tomada depois de um balanço dos dois anos de mandato e deverá conduzir à convocação de uma Assembleia Geral Eleitoral, com data ainda por definir.

Em comunicado enviado às pessoas associadas e voluntárias, a Direcção explica que se tratou de uma «profunda reflexão» e reconhece que «o nosso ciclo se encerra neste momento». A equipa afirma ainda que já não dispõe de «mais condições para continuar», acrescentando que a decisão foi tomada «a pensar primeiro no bem da Associação», mas também na salvaguarda do seu próprio bem-estar.

Entre as razões apontadas está a natureza «muito intensa e exigente» do trabalho associativo voluntário, bem como a redução progressiva da equipa dirigente. «Por diferentes motivos, fomos ficando cada vez menos pessoas», pode ler-se no comunicado, numa altura em que, segundo a Direcção, os desafios colocados à população LGBTI+ em Portugal exigem «uma renovação» e uma resposta «robusta, concertada e energizada».

A Direcção sublinha, contudo, que a demissão não coloca em causa o funcionamento da associação. Até à eleição e tomada de posse de uma nova equipa, a actual Direcção continuará em exercício das suas funções, nos termos previstos nos estatutos.

«A ILGA Portugal continua em pleno funcionamento», assegura a Direcção em resposta ao dezanove.pt, manifestando também «total confiança» na equipa técnica para assegurar a transição entre Direcções. A associação considera-se «robusta», assente no trabalho de profissionais, voluntariado e de «uma enorme comunidade».

«Saímos de cabeça erguida»

No balanço dos dois anos de mandato, a Direcção destaca o reforço dos serviços de apoio, nomeadamente do Serviço de Apoio Psicológico (SAP) e do Serviço de Apoio Jurídico (SAJ), a reorganização de processos internos e o reforço da comunicação da associação.

O Centro LGBTI+ é igualmente apontado como uma das áreas de intervenção, com a Direcção a afirmar ter procurado torná-lo «um espaço comunitário verdadeiramente aberto à comunidade». São ainda destacados o trabalho com outras associações e colectivos, a formação de voluntariado e de entidades públicas e privadas e a sustentabilidade financeira da organização.

No plano político, a Direcção afirma ter-se mantido «na frente e em colectivo na luta contra as desigualdades e os ataques à nossa comunidade».

«Saímos de cabeça erguida e com muito orgulho do trabalho que fizemos», afirma a equipa no comunicado, considerando ter cumprido «muitos dos objectivos» a que se propôs, apesar de ter enfrentado «desafios inesperados que obrigaram a mudanças de rumo e de visão».

A actual Direcção considera ainda que deixa uma equipa técnica preparada para assegurar o futuro da associação. «Temos toda a confiança na sua capacidade e valor, e isso tranquiliza-nos para a transição que se avizinha», escreve.

A Mesa da Assembleia Geral deverá agora convocar as pessoas associadas para uma Assembleia Geral Eleitoral, onde será eleita uma nova Direcção.

A actual equipa diz manter-se disponível para apoiar a futura Direcção e termina o comunicado com um apelo à participação no próximo processo eleitoral: «Hoje e sempre.»

Leia também: Comunicado integral da Direcção da ILGA Portugal (transcrição para documento pelo dezanove.pt)

Foto: ILGA Portugal

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *