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O controverso "momento zen" do deputado de PSD de Lamego Manuel Afonso

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A 26 de Fevereiro deste ano, durante uma sessão ordinária da Assembleia Municipal de Lamego, Manuel Afonso, deputado do Partido Social Democrata (PSD), utilizou o seu tempo de discurso para ter o seu "momento zen", como o próprio denominou.

Na sua intervenção, o deputado afirma que, assim como André Moz Caldas, Secretário de Estado da Presidência de Conselho de Ministros, e Graça Fonseca, Ministra da Cultura, irá também "publicitar"; a sua orientação sexual. Utiliza, para esse fim, um poema do cantor Pedro Barroso, intitulado "O Cerco", no qual o autor afirma, de forma irónica:

 

"Venho aqui pedir desculpa de não ser evoluído; apesar destas campanhas na rádio, na televisão, em toda a parte, insistindo na urgência do assunto… Eu não consigo gostar; – não consigo mesmo, pronto. Sei que pertence ser gay, toda a gente deve ser. Mas eu, lamentavelmente, não sou como toda a gente; É uma vergonha indecente; Gostar de mulher, ter filhos; Casar, afagar, perder-se; Com pessoa doutro sexo! Uma nojeira repelente; […] Ver uma mulher seduz-me; Faz-me vibrar, deslumbro. Vê-la falar, elegante; Vê-la deslizar, sensual; Como vestal, deslumbrante. Seu peito assim, saltitante […]"

Esta intervenção, tendencialmente homofóbica, foi, mais tarde, exposta pelo Bloco de Esquerda de Lamego, na sua página de Facebook, manifestando-se contra o discurso de Manuel Afonso: "Relativamente a este “Momento ZEN”, tomamos também nós a liberdade de manifestar o nosso profundo repúdio por esta lamentável situação de discriminação baseado no sexo, género e orientação sexual. No nosso entender, esta imagem não serve nem dignifica Lamego e as suas gentes. Assim, tomamos a iniciativa de enviar uma carta aberta à Assembleia Municipal onde apelamos às senhoras e aos senhores deputadxs que não deixem passar incólume este episódio gravíssimo decorrido na Assembleia Municipal de Lamego."

 

Já o deputado municipal Manuel Afonso respondeu de forma bastante extensa na própria publicação do Facebook do Bloco de Esquerda de Lamego contestando a veracidade dos argumentos bloquistas.

Afonso nega ter aclamado o trabalho do juíz João Caupers: "Em momento algum o fiz, bem pelo contrário disse e transcrevo “A terminar, deixo claro, que não concordo com tudo o que o Juiz João Caupers escreveu, mas que fique igualmente claro, que defenderei sempre o seu direito à liberdade de as escrever.”

O deputado municipal manifesta também surpresa por apenas 11 anos depois o BE se ter insurgido contra o caso do referido juíz: "Manifestei surpresa por apenas 11 anos depois dos escritos daquele, o BE vir dizer que ele então fez ”declarações homofóbicas e atentatórias aos Direitos Humanos das pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexo", por ter dito que “havia um lóbi gay que se ia impondo nalguns sectores culturais, das artes e dos mass media.” (não citei mais nenhuma passagem)." Acusa ainda o BE de não se preocupar se o juíz  defendeu ou não no seu trabalho os direitos das minorias. 

Na própria publicação do BE, Manuel Afonso escreveu em letras garrafais que defende "A tolerância das minorias, diferenças de raça, credo, género e orientação sexual, é para mim o mais fundamental da democracia e da liberdade” e acrescenta "não reconheço no BE os detentores da boa e suprema moral intelectual que que estabeleça que uns possam proclamar que são homossexuais e eu não possa dizer que sou heterossexual."

Por último, Manuel Afonso contextualizou os versos citados no âmbito do dia internacional da mulher e da igualdade de direitos e que os considera “como uma ode laudativa ao feminino, um elogio à mulher, à exaltação da sua beleza, do seu encanto, da sua lucidez e da sua sensualidade. Qualquer outra interpretação é espúria, falsa e abusiva. Como ofensivo é a descontextualização e cortes feitos com o objectivo de desvirtuar, permitindo-se adulterar o filme com legendagem abjecta.”

 

Foto e vídeo: Bloco de Esquerda Lamego