opinião

Quando não és m… nenhuma, mas convencem-te de tal



(Crónicas de um homem queer a caminho dos 50 anos)

Já várias vezes aqui falei de relações. Lembre-se o estimado leitor, de que somos pessoas, não animais, como tal, não pretendemos ficar sozinhos. O medo da solidão… O antigo fantasma.

Sou alguém que sente demais, gosta demais, ama demais. Acho – e desculpa vida se estou errado – mas não devia de ser feito de otário por isso. Mas, e lá vem a solidão, acontece sempre. Amo muito, aceito tudo, só me magoo. E sei que isto não se passa só comigo, mas com muitos homens queer a caminho dos 50 anos, que não querem acabar sós. Ainda assim pergunto-me (nos) vale a pena? Não sei responder. Ao mesmo tempo que me apetece mandar a pessoa para o crl… e bater-lhe com a cabeça no alcatrão, tenho também vontade de fingir que tudo está bem e que, mais dia menos dia, será tudo um mar de rosas.

Posso confessar aos caríssimos leitores, não percebo. Como passamos do 100 ao 0? Será que o excesso de amor é carinho assusta? Terei eu cara de mau? Como passamos de intensos beijos e noites de amor para um: somos só amigos? Não percebo.

Sei, no entanto, que sempre fui muito carente de amor e de atenção. Lembro-me de, em criança, ter imensos amigos imaginários para me ajudarem com a dor (que dor é/era não sei). Sempre fui muito mais feliz no mundo dos sonhos. 

E agora? Sou adulto e o que mudou? Nada. Continuo a colocar-me em sapatos apertados, só para receber um pouco de amor e atenção.

Quando a ti, que sabes disto e te aproveitas da situação… Vai à m…! Continua com o teu egoísmo inato e com as tuas f… sem sentido. Dizes que gostas de mim, mas que tipo de amor é este que maltrata e humilha? Nada. Eu sou um idiota por permitir que continues na minha vida, que continues a tratar-me mal, em troca de um bocadinho de atenção. Não és para mim. Não me mereces. E quando vieres com as tuas conversas, a tratar-me como lixo, a dizer que não sei escrever mensagens, a colocar a m… que fazes nas minhas costas, esquece. Já passou. Já te vou ter ultrapassado. Terei de ser indiferença, para alguém que me trata como lixo.

Ah, e obrigado. Por me voltares fazer acreditar que o amor é só para meia dúzia de abençoados, que como tu, veneram o corpo e cospem na alma de quem vos ama. Pergunto-me qual a ideia? É assim tão bom magoar os outros? É que se for, não estou dentro. Não sou igual a ti.

Que sejas feliz com o mal que me fizeste. Cá continuarei a ser EU. Quer queiras, quer não.

A todos os que se identificam, sejamos fortes. Não é fácil e estou no limbo: estragar a minha vida ou continuar a dar valor a um idiota? Não sei.

Foto: https://depositphotos.com/pt/

António S.um homem queer a caminho dos 50 anos

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