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Rua Gisberta: "Iremos levar esta iniciativa até ao fim"

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Muita tinta correu depois da Comissão Organizadora da Marcha do Orgulho do Porto (COMOP), bem como outros colectivos e pessoas defensoras dos direitos das pessoas LGBTI+ terem anunciado que vão, mais uma vez, tentar que o nome de Gisberta, mulher trans que foi brutalmente assassinada há 15 anos, seja a designação de um arruamento, no Porto.

 

Muitas mensagens sugiram nas várias redes sociais a congratular a iniciativa. No entanto, outro tipo de comentários e declarações também surgiram, nomeadamente as de Isabel Ponce de Leão, presidente da Comissão de Toponímia da Câmara Municipal do Porto, entidade à qual será entregue o abaixo-assinado para a criação da rua de Gisberta. Em declarações feitas ao jornal Expresso, a presidente condena o crime de ódio de que Gisberta foi vítima. Refere que o “órgão consultivo selecciona personalidades carismáticas da cidade, de todas as classes”, mas indica que “a pessoa em si nada fez em prol do Porto” e que não consegue “estabelecer uma relação entre a Gisberta e o Porto”.

Como resposta às declarações feitas por Isabel Ponce de Leão, José Soeiro, deputado do Bloco de Esquerda, referiu, num artigo no mesmo jornal, que “entre outras coisas, Gisberta deu ao Porto a própria Marcha LGBT”. O activista portuense afirma também que “foi por causa de Gisberta que, em Portugal, se introduziu a palavra transfobia no nosso vocabulário público”. Para o deputado o nome de Gisberta “diz a discriminação estrutural revelada pelo assassinato, a transfobia das instituições, a falta de reconhecimento das identidades trans, mas também a capacidade de a cidade reagir para afirmar os direitos humanos e ocupar as ruas em seu nome”. Soeiro, no final do artigo, questiona ainda “que imagem de cidade resulta de um espaço urbano onde há lugar para tantos “homens notáveis”, mas em que praticamente não cabem outros nomes, nomeadamente de mulheres ou de grupos oprimidos?”

A Comissão Organizadora da Marcha do Orgulho do Porto também já reagiu aos comentários de Isabel Leão, declarando que discorda da presidente da Comissão de Toponímia e vai mais longe afirmando que “aquilo que a Gisberta fez pelo Porto já ninguém nos tira”. Relembra, tal como José Soeiro, que o “assassinato de Gisberta foi o motivo pelo qual a Marcha Orgulho do Porto (MOP) foi fundada. Foi, e ainda é, a memória de Gisberta que faz com que dezenas de activistas lutem por uma cidade mais igualitária e segura para as pessoas LGBTI+, assim como faz com que milhares de pessoas saiam à rua para marchar em apoio a esta luta.” A Comissão afirma, através das palavras de Sofia Brito, que “independentemente do resultado da sessão da Assembleia Municipal do Porto, iremos levar esta iniciativa até ao fim e não iremos parar enquanto não ocuparmos as ruas.”.

Apesar das vozes divergentes, o abaixo-assinado conta, até ao momento, com mais de 4000 assinaturas, sendo 25 delas de colectivos e organizações.

Em resposta ao contacto do dezanove.pt , a Comissão de Toponímia da Câmara Municipal do Porto explica que a proposta de abaixo-assinado datado de 2020 foi apreciada, em sede de reunião e que após análise da proposta "aprovou o topónimo Palmira de Sousa [mulher carquejeira do Porto] e o topónimo Gisberta Salce Júnior não obteve aprovação uma vez que a maioria considerou não se enquadrar nos critérios de aprovação das propostas".

 

Sara Lemos

Notícia actualizada a 25 de Março às 10h10 com o último parágrafo.