Ao que parece mudam-se os tempos, mas não se mudam as vontades. Não se muda a vontade de ter acesso a informação que é gratuita, nem a vontade de alargar horizontes. Mas vontade de nos mantermos uma sociedade preconceituosa, essa sim, ainda se vai manter durante algum tempo.
À luz dos presentes acontecimentos, ali para os lados da Ericeira, na suposta casa mais vigiada do país, vemos que esta casa alberga na sua estrutura moderna… mentes tacanhas e retrógradas.
Durante estes dias já se ouviu de tudo: homossexuais comparados com toxicodependentes, crianças que vão ficar com traumas quando se depararem com um casal do mesmo sexo numa troca de afectos, preferia ser qualquer coisa a ser homossexual, ou até mesmo qualificar os homossexuais como “essas pessoas”. Palavras simpáticas proferidas por dois concorrentes do formato. Um deles, assumidamente homofóbico. Contudo, a desculpa dada é o velho clichê, “foi a brincar” ou “não foi com maldade”. Observações deste tipo são sempre intencionais e com o único propósito de diminuir uma minoria. Mas até aqui nada de novo. Vejamos o caso do apresentador do programa, pertencente à comunidade LGBT, no passado ano de 2014. O mesmo manifestou num canal de televisão a sua fobia e preconceito contra pessoas dessa mesma comunidade onde ele se insere.
Aqui as coisas mudam de figura, o preconceito maior parte da própria comunidade LGBT para com os seus membros. Dar um ralhete ao concorrente em questão foi quase como compactuar com as afirmações que foram proferidas. A atitude correcta seria fazer de uma expulsão imediata um método de aprendizagem, para que, de uma vez por todas fique claro que homofobia é crime, e como tal, quem pratica um crime, tem que ser punido.
A atitude correcta seria fazer de uma expulsão imediata um método de aprendizagem, para que, de uma vez por todas fique claro que homofobia é crime, e como tal, quem pratica um crime, tem que ser punido.
A questão que se coloca agora é: “Até quando vamos alimentar crimes de ódio gratuitos num programa de televisão que é acompanhado por milhares de pessoas?”.
É desta forma que vamos conseguir mudar mentalidades? Não me parece. Enquanto estas vozes se fizerem ouvir, vai ser este o exemplo a dar não só para os seguidores do programa assim como para a sociedade no geral.
Pedro Capitão, gestor de marcas, ex-concorrente Secret Story 5



4 Comentários
Patrícia Teixeira
Subscrevo palavra por palavra. Escrevi hoje no meu blog um post sobre o mesmo tema. Um grande beijinho
Mário
Sim, é. É crime. Seja como for, nunca há justificação para a homofobia.
Filipe
Nos últimos anos passaram pelos programas da TVI vários concorrentes homossexuais assumidos, e se bem me recordo foram genericamente bem tratados pelos colegas. Desta vez, infelizmente, tal não está a acontecer. Vi o burburinho nas redes sociais e espreitei as imagens. Não gostei do que vi. Não gostei mesmo. Os dois concorrentes em questão parecem-me homens inseguros e com frustrações que tentam fortalecer-se atacando aqueles que julgam ser os mais fracos. Típico. Alternativamente, não poria de lado a hipótese de termos aqui um ou dois casos mal resolvidos de homossexualidade ou bissexualidade enrustida.
Anónimo
Infelizmente passeio muita situação dessas quando era jovem, hoje aos 54 anos pensei não ter de passar de novo por essa situação, mudei de casa recentemente e tive o azar de ir viver para perto de um homofóbico, preconceituoso e muito mal educado. Como já não tolero mais esse tipo de gente passei hoje pela delegacia e fiz queixa do indivíduo que no sábado teve a audácia de me chamar de paneleiros a mim e ao meu esposo. Sei que vou sofrer represálias mais não podia permitir que isso me aconteça de novo.