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Big Mama: “O público tem reagido ao meu trabalho com um sorriso do tamanho do mundo”

 Big Mama.jpg

Chama-se Bruno Alves interpreta a Big Mama, tem 25 anos e vive no Porto. Estudou Marketing e trabalha numa loja no atendimento ao público. Big Mama levou ao rubro o público presente na 25ª Gala Abraço. No fim do espectáculo saiu com o troféu de vencedora da noite. Vamos conhecê-la?

 

 

dezanove: Como e quando chegaste ao transformismo?

Bruno Alves / Big Mama: Foi através de um grupo de amigos que levou a uma casa GLS (gays , lésbicas e simpatizantes). Foi aí que fiquei a conhecer a arte do transformismo. Uma vez estava a passear pelo Porto com esse mesmo grupo de amigos e passamos na Avenida dos Aliados, onde conheci pessoalmente uma transformista que é a Ramona Pink Floyd. Eu era muito novo, tinha apenas 16 anos e fiquei eufórico. Até dancei na praça (risos) e aí a Ramona disse: “Tu tens de fazer um show!” E assim foi: ligou-me na véspera de uma quarta-feira a dizer que no dia seguinte ia fazer um show no concurso de lugar às novas. Por sinal fui a vencedora. E foi assim que entrei no mundo do transformismo.  

 

Por quê o nome Big Mama? É por causa do teu peso? De que forma é que o peso moldou a tua vida?

O nome Big Mama surgiu quando falei com os meus amigos e disse que ia fazer um show de transformismo e precisava de um nome. Um deles disse logo: olha, por que que não colocas Big Mama? É o nome daquela mulher negra do filme, é engraçado e como és gordinho fica bem (risos). E assim foi.

 

Biga Mama Transformismo.jpg

As pessoas ainda confundem muito a arte do transformismo com orientação sexual? Queres esclarecer isso para quem te vai ler? 

Sim, ainda confundem. Quando olham para um transformista, vêem-nos como um rótulo na testa. Pensam que estão a aproveitar as vestes femininas para mostrar o seu segundo eu.

 

Onde é que te podemos encontrar a actuar em Portugal?

Neste momento podem encontrar-me no Pride Bar, no Porto, onde sou artista residente. Actuo noutros locais que vou anunciando no meu Facebook. 

 

Há quantos anos és transformista? Consegues fazer desta arte uma profissão a tempo inteiro ou tens de complementar?

Há 7 anos. Nos tempos em que vivemos hoje é impossível fazer da arte do transformismo (ou de qualquer outra arte) uma profissão. A não ser que se trabalhe todos os dias nessa área, numa casa fixa. Por isso, tenho de conciliar com outras coisas.

 Nos tempos em que vivemos hoje é impossível fazer da arte do transformismo (ou de qualquer outra arte) uma profissão.

 

Como reagem as pessoas à Big Mama quando estás em palco?

A Big Mama tem uma característica diferente de 90% dos transformistas em Portugal: sou um actor cómico, daí ter muitos fãs. O público tem reagido ao meu trabalho com um sorriso do tamanho do mundo.

 

Quem te inspira a ir para o palco?

A minha inspiração, a pesquisa que faço e o desafio mental que proporciono às pessoas.

 

Bruno Alves Big Mama.jpg

Tens alguma diva?

Não.

 

Então, por quê?

Eu vou buscar a minha própria inspiração à minha imaginação. Viajo comigo mesmo.

 

Consideras que há cada vez mais abertura e fãs do transformismo em Portugal? 

Sim, há sempre gente que gosta de ver um espectáculo de transformismo. Quem não conhece (falo por experiência) fica a adorar e volta para ver mais.

 

Mudando de assunto… Alguma vez passaste por alguma situação desagradável, como episódios de homofobia ou transfobia? Como reagiste?

Não. Felizmente nunca passei por uma situação dessas.

 

Qual foi a sensação de ser a vencedora da 25ª Gala Abraço? Já encontras palavras para descrever o momento?

Simplesmente único. Um misto de emoções e alegria.

 

 

Como surgiu o convitepara participar neste evento? E porque escolheste aquela actuação do tema “And I Am Telling You I'm Not Going”?

Há dois anos que participo na Gala da Abraço sempre a convite da Wanda Morelly, que sugere ao Fernando Santos (Deborah Krystall) que eu participe. Quanto à música, eu já a tinha em mente. Fiz várias pesquisas para fazer algumas alterações e consegui construir o que queria. Fiquei super orgulhoso de ver o público a reagir com muitos aplausos à minha interpretação.

 

  Fiquei super orgulhoso de ver o público a reagir com muitos aplausos à minha interpretação.

 

A Abraço celebrou 25 anos de apoio às pessoas infectadas com VIH/sida. Este ano a gala foi mais uma das formas encontradas para angariar fundos e, com isso, maximizar os esforços que estão a ser feitos em benefício das pessoas afectadas. Ao mesmo tempo procura-se também diminuir o estigma e promover uma mensagem de respeito face a estas pessoas. No fundo, são aspectos semelhantes que afectam a população LGBTI nos últimos anos. Que conselhos queres deixar aos jovens queer que estão agora a descobrir-se?

Que estejam atentos à informação, que não deixem de usar o preservativo porque a doença existe. Os atenuantes também existem, mas a cura não! 

 

Entrevista de Paulo Monteiro

 

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