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Os sinais gay-friendly da Eurovisão (com vídeos)

Eurovision LGBT.jpg

Arranca hoje o tudo ou nada para os países que participam no Festival Eurovisão da Canção. A primeira semi-final está marcada para esta terça-feira às 20 horas (hora de Lisboa). Podes acompanhar a transmissão do evento em directo através do site http://www.eurovision.tv/page/webtv ou em diferido  na RTP1 a partir das 22:23.

Em jogo está o apuramento de 10 entre 16 países para a final de Sábado. Como já escrevemos aqui, Portugal só entra em jogo na quinta-feira.

 

Tempo de olhar agora para os sinais LGBT que este festival tem trazido até aos dias de hoje. 

O que torna este evento um promotor dos temas LGBT ou até, como alguns fãs eurovisivos consideram, o maior evento “hetero-friendly” europeu?

Para começar são vários os clichés que encaixam no protótipo de um homossexual: a paixão pela música, o fascínio pelas viagens, o gosto por eventos onde a diversidade é uma certeza. Mas há, obviamente, mais.

Certo é que o festival não é o mesmo aos olhos do público depois da vitória de Conchita Wurst. Isto deve-se, em especial, ao seu papel na promoção de uma mensagem de aceitação e respeito pela comunidade LGBT. Será difícil alguém igualar o legado de Conchita e, por exemplo, discursar sobre Direitos LGBT no Parlamento Europeu ou ser recebida por Ban Ki-moon, Secretário-Geral da ONU. E a sua influência também teve efeitos no seu país de origem, onde vários direitos ainda estão por cumprir. Conchita levou à mudança de mentalidades no seu país de origem. Logo a seguir à sua vitória vários testemunhos dos austríacos demonstravam isso mesmo. Esta semana uma campanha da Amnistia Internacional austríaca aproveitou o festival para chamar a atenção para os Direitos LGBT no país, com destaque para os casais LGBT que não podem casar (e recorde-se que a adopção de crianças por casais unidos de facto só foi permitida em 2013 depois de uma decisão do Tribunal Europeu de Direitos Humanos). A mesma campanha da AI exige o fim da despatologização das pessoas transexuais neste país. Esta ONG quer, por exemplo, fazer com que o governo austríaco permita a mudança de nome no registo civil das pessoas transexuais, sem que estas tenham de se declarar doentes.

Porém, antes da prestação de Conchita, vários sinais tinham sido dados pela afirmação e visibilidade desta comunidade durante este festival.

 

Foi a Noruega em 1986 a dar o primeiro passo. Ketil Stokkan com o tema Romeo ficou em 12º lugar. Em palco o cantor estava acompanhado  pelas drag queens The Great Garlic Girls.

 

A vitória da transexual israelita Dana International foi um marco histórico no festival bem como para a comunidade LGBT. Este é, provavelmente, o momento de que a maioria dos fãs europeus se lembra:

Apesar disso, quando, em 2011, a mesma Dana International se apresentou no festival nem sequer foi apurada para a final: 

 

Em 2002 as drag queens do grupo Sestre, da Eslovénia, também fizeram história. O tema "Samo Ljubezen" continua a ser um hit naquele país. Ficaram em 13º lugar:

 

Em 2007, a Ucrânia, país onde os direitos LGBT estão sob constante ameaça, a drag queen Vera Serduchka alcança o segundo lugar na competição. No mesmo ano em que Marija Šerifović, que depois se assumiu lésbica, ganhou pela Sérvia.

 

 

E este ano? O piscar de olhos à comunidade LGBT também não ficou esquecido. Ora confere:

1. O concorrente sueco Måns Zelmerlöw começou por ser alvo das atenções da imprensa em 2013. Na altura considerou os gays “anormais” e referiu “que não é igualmente natural que homens durmam com outros homens, o mais normal é que os homens durmam com mulheres e façam filhos juntos”. As declarações “pegaram fogo” nas redes sociais e levaram a um pedido de desculpas de Zelmerlöw aos que se sentiram ofendidos. O cantor de “Heroes” (por sinal uma das canções favoritas deste festival) apressou-se depois a reformular: “a maioria das pessoas sabe que respeito todas as diferentes formas de amor”. Aquele que foi considerado pela publicação gay QX o homem mais sexy da Suécia em 2007, voltou à carga esta semana afirmando ao jornal Metro que "o género não importa" e se sentisse atracção por um homem, namoraria com um. Uma evolução rápida, portanto.

Suécia Eurovisão.jpg

 

2. A música mais vista no Youtube deste festival pertence à Rússia. Até pode ser coincidência, mas no videoclipe aparecem duas mulheres lado a lado por escassos segundos. 

Rússia Eurovisão 2015.jpg

 

3. O vídeo promocional do concorrente de Israel, Nadav Guedj, mostra imagens da Marcha do Orgulho LGBT de Telavive.  A canção "Golden Boy" fala-nos sobre como ultrapassar uma paixão não correspondida. A resposta correcta é divertindo-se.

Israel LGBT.jpg

 

4. O cantor lituano Vaidas Baumila está a ser considerado pelos fãs o mais sexy do festival. A explicação pode estar nesta foto, já viral na entre os fãs do festival:

Lituânia Eurovisão.jpg

Em palco o cantor dá um beijo a Monika Linkyte, a outra intérprete de “This Time”. Apesar do primeiro lugar no top sexy, Vaidas não é homossexual.

Este é também um dos temas preferidos desta edição segundo apostas em vários sites. A LRT, a televisão nacional da Lituânia, decidiu promover o tema gravando propositadamente um vídeo para onde recorreu a actores e não a casais reais. Numa das cenas podemos ver o seguinte:

beijo da Lituânia Eurovisão.jpg

 

5. Fechamos com “Beauty Never Lies“ a canção da Sérvia é um hino à aceitação da diferença. Múltiplas e positivas interpretações são possíveis depois de vermos o vídeo de Bojana Stamenov.

 

Acompanha o festival no Facebook do dezanove.

 

Paulo Monteiro

 

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