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A (in)segurança de pessoas LGBT no Campeonato Mundial de Futebol no Qatar

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O Campeonato Mundial de Futebol FIFA de 2022 será a vigésima segunda edição deste evento desportivo e ocorrerá no Qatar, um país que criminaliza a homossexualidade. Muito se tem falado sobre a (in)segurança de pessoas LGBT neste país e as declarações de várias pessoas sobre o tema têm sido contraditórias.

Em 2010, logo após a selecção do Qatar como sede do Mundial de Futebol de 2022, o então presidente da FIFA, Joseph Blatter, foi questionado sobre a realidade política dos homossexuais no país e respondeu que os apoiantes com uma orientação não-heterossexual se “deveriam abster de qualquer actividade sexual”. Depois de ser criticado por esse comentário, Blatter acrescentou que "nós [FIFA] não queremos nenhuma discriminação. O que queremos fazer é abrir este jogo para todos e abri-lo para todas as culturas, e é isso que vamos fazer em 2022".
Em 2013, o secretário-geral da organização do torneio da FIFA no Qatar, Hassan al-Thawadi, disse que todas as pessoas eram bem-vindas ao evento, desde que se abstivessem de demonstrações públicas de afecto. "A demonstração pública de afecto não faz parte da nossa cultura e tradição", disse.
Ainda assim e, conhecendo-se a repressão a que pessoas não-heterossexuais estão sujeitas no Qatar, em 2020, a directora de responsabilidade social e educação da FIFA, Joyce Cook, afirmou que símbolos LGBT seriam permitidos: “bandeiras arco-íris, camisolas serão bem-vindas no estádio – isso é um facto. O Qatar sabe muito bem que essa é a nossa postura”. Também em 2020, o presidente-executivo do Mundial de Futebol, Nasser Al-Khater, disse que “respeitaremos as directrizes da FIFA sobre permitir bandeiras arco-íris”.

Já em Dezembro do ano passado, Nasser Al-Khater, afirmou que demonstrações de carinho serão mal vistas no Qatar. Seja para o público hetero seja para homossexuais, numa resposta ao jogador australiano Joshua Cavallo que assumiu ter medo de ir jogar ao Qatar.

Apesar disso, em Março deste ano, o seleccionador da Inglaterra, Gareth Southgate, admitiu que é provável que alguns apoiantes LGBT da Inglaterra evitem deslocar-se ao Qatar devido a preocupações com a sua segurança. E, neste sentido, Harry Kane, capitão da equipa inglesa, afirmou que os jogadores discutiriam, numa reunião, a melhor forma de apoiar os adeptos LGBT e se posicionarem face às violações dos direitos humanos que ocorrem no Qatar, referindo, ainda, que é “realmente importante” que esses adeptos se sintam seguros.
Mas, de facto, segurança não será, certamente, o sentimento que predomina nas pessoas LGBT, que pensam deslocar-se ao Qatar. É que Abdulaziz Abdullah Al Ansari, a aproximadamente, sete meses do início do torneio, afirmou que as bandeiras arco-íris podem ser retiradas aos adeptos, nos estádios, para protegê-los de serem atacados por promoverem os direitos dos homossexuais. O oficial de segurança que supervisiona o torneio afirmou ainda que “se um fã levantou a bandeira arco-íris e eu a retirei, não é porque eu realmente quero, para insultá-lo, mas para protegê-lo. Se não for eu, alguém ao redor dele pode atacá-lo... Não posso garantir o comportamento de todo o povo. E 'eu direi: “Por favor, não há necessidade de levantar essa bandeira neste momento'”.
“Se quer demonstrar a sua visão sobre a situação (LGBTQ), demonstre-a numa sociedade onde será aceite”, disse Al Ansari. “Percebemos que essa pessoa conseguiu a passagem, vem aqui para assistir ao jogo, não para demonstrar um ato político ou algo que está na cabeça dela. Assista o jogo. Isso é bom. Mas não venha e insulte toda a sociedade por causa disso”.
As declarações do oficial de segurança estão a ser muito criticadas por várias organizações e activistas. Julia Ehrt da Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexuais e Ronain Evain da Football Supporters Europe, numa resposta conjunta referiam que "muitas vezes, as chamadas “protecções” são na verdade cortinas de fumo para encobrir violações de direitos humanos". Disseram ainda que “a FIFA e o Qatar devem abordar essas preocupações imediatamente e mostrar ao mundo que há a possibilidade de realizar um torneio que respeite os direitos e seja seguro para os fãs LGBTIQ.”
Ainda assim, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, disse recentemente, em Doha, que “todos são bem-vindos aqui no Qatar, mesmo que falemos de pessoas LGBTQ”.

 

Sara Lemos

 

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Não podemos ficar indiferentes a todas estas contradições e à ausência de tomada de uma posição clara e firme por parte da FIFA, bem como das pessoas organizadoras deste Mundial no Qatar, relativamente à segurança de pessoas LGBT.

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