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Escolher os melhores do ano não é tarefa fácil. Este ano o critério utilizado não foi só o facto destes filmes serem os melhores, mas também os que causaram maior burburinho e impacto, ou até mesmo o mais polémico, ou a maior desilusão. Eis a lista:

 

Os filmes do Queer Lisboa:

- “Beira-Mar” (2015) de Filipe Matzembacher e Márcio Reolon

Durante o Inverno, dois rapazes viajam para uma cidade costeira. Martin (Mateus Almada) tem de visitar uns familiares. Tomaz (Maurício Barcellos) junta-se à viagem, vendo-a como uma oportunidade para reavivar a sua amizade.

Diz o ditado popular que “não há amor como o primeiro”. O mesmo acontece neste filme – a paixão na adolescência é das melhores coisas do mundo. Foi também uma das escolhas de Ana David para o Queer deste ano.

  

- “Eisenstein in Guanajuato” (2015) de Peter Greenaway

Em 1931, no auge da sua criatividade, o realizador soviético Sergei Eisenstein (Elmer Bäck) viaja até ao México para rodar um novo filme. Rejeitado por Hollywood e sob crescente pressão para regressar à Rússia, Eisenstein chega a Guanajuato acompanhado pelo seu guia Palomino Cañedo (Luis Alberti).

O filme de encerramento do Queer Lisboa foi sem dúvida um dos filmes do Festival, comprovando que Greenaway regressou em força e cheio de fôlego.

 

- “Je Suis À Toi” (2014) de David Lambert

Henry (Jean-Michel Balthazar), um padeiro homossexual belga compra um bilhete de avião a Lucas (Nahuel Pérez Biscayart), um jovem argentino, não necessariamente homossexual, depois de tê-lo conhecido em vídeos na internet. Tudo se complica quando Lucas se apaixona por uma mulher.

Vencedor do prémio para melhor interpretação masculina (Nahuel Pérez Biscayart) no Queer Lisboa, foi um dos cinco filmes a não perder nesta edição do Festival.

 

- “Praia do Futuro” (2014) de Karim Aïnouz

Donato (Wagner Moura), um nadador salvador, resgata do mar Konrad (Clemens Schick). Acabam por se aproximar e apaixonar. Quando Konrad volta para a Alemanha, Donato decide segui-lo e nunca mais volta. Deixando para trás a mãe e o irmão Ayrton (Jesuita Barbosa), encontra em Berlim uma nova vida.

Foi o filme de abertura do Queer Lisboa e dividiu a plateia. É uma película de que se gosta muito ou de que não se gosta nada. Wagner Moura é mesmo um grande actor; recebeu a sua primeira nomeação aos Globos de Ouro pela sua interpertação como Pablo Escobar na série “Narcos”.

 

O filme do Queer Porto:

- “De L’Ombre Il Y A” (2015) de Nathan Nicholovitch

Mirinda (David D'Ingéo), uma crossdresser francesa, que vive em Phnom Penh, Combodja, como prostituta. Depois de conhecer uma jovem, fruto do tráfego humano, desperta em si gradualmente nele sentido de maternidade.

Este filme arrebatador, que tem a força da natureza como personagem principal, foi exibido exclusivamente no Queer Porto, provando que é um Festival diferente do seu irmão mais velho, apesar de ter linhas orientadoras semelhantes.

 

O filme da Festa do Cinema Italiano:

- “Più Buio Di Mezzanotte” (2014) de Sebastiano Riso

Davide é um adolescente que vive em Catânia. Tem o cabelo ruivo e há qualquer coisa nele, no seu aspecto exterior, que o torna num ser único e fascinante. Foge de casa aos 14 anos e o seu instinto, ou talvez o destino, guia-o até ao maior parque histórico da cidade.

Inspirado na história verídica de Davide Cordova, cujo nome artístico é Fuxia, drag queen símbolo da discoteca gay Muccassassina de Roma. Foi um dos melhores filme da 8.ª edição de 8½ Festa do Cinema Italiano.

 

O filme do Festival de Berlim 2015:

- “Nasty Baby” (2015) Sebastián Silva

Freddy (Sebastián Silva) e o namorado Mo (Tunde Adebimpe) estão a tentar ter um filho há 6 meses e para isso recorreram à ajuda da melhor amiga, Polly (Kristen Wiig). A sua felicidade é posta em causa por uma série de confrontos com um vizinho chato, que só poderá ser um louco.

Venceu o Teddy Award deste ano no Festival de Berlim e já antes marcou presença em Sundance. Com argumento do também realizador, o filme tem vindo a gerar um grande frenesim. Basta ver o trailer para o comprovar.

 

O filme do Festival de Cannes 2015:

- “Carol” (2015) de Todd Haynes

Na Nova Iorque dos anos 1950, uma empregada de uma loja, Therese (Rooney Mara), que sonha com uma vida melhor, apaixona-se por uma mulher mais velha e casada, Carol (Cate Blanchet).

Fez parte da selecção oficial do Festival de Cannes deste ano, acabando por vencer o prémio para Melhor Interpretação Feminina (Rooney Mara) e a Queer Palm. Recebeu 5 nomeações para os Globos de Ouro 2016, nomeadamente, Melhor Actriz Drama (para Mara e Blanchet) e Melhor Filme Drama.

Tem estreia prevista em Portugal a 28 de Janeiro de 2016.

 

O filme do Festival Sundance 2015:

- “Tangerine” (2015) de Sean Baker

Na véspera de Natal, depois de 28 dias presa, Sin-Dee Rella (Kitana Kiki Rodriguez), uma prostituta transexual, descobre, em conversa com a sua melhor amiga, Alexandra (Mya Taylor), também prostituta e também transexual, que o seu namorado e proxeneta a anda a trair com uma mulher cisgénero.

Filmado através das câmaras de 3 smartphones iPhone 5S, o filme tem sido bastante elogiado, sobretudo, pelo seu realismo. E tem causado muita sensação pelos vários festivais por onde tem passado, com nomeações e prémios às duas protagonistas.

 

Os filmes que ainda vão dar (muito) que falar:

- “About Ray” (2015) de Gaby Dellal

Depois de Ray (Elle Fanning) decidir fazer a transição de feminino para masculino, a sua mãe, Maggie (Naomi Watts), enquanto decide se concorda com a decisão tenta procurar o pai biológico do filho para obter seu consentimento legal.

Este filme tem sido calorosamente bem recebido, sobretudo pelo tema corajoso que aborda, a transição de género na adolescência.

  

- “Freeheld” (2015) de Peter Sollet

Quando a tenente da polícia de Nova Jersey Laurel Hester (Julianne Moore) descobre que tem um cancro em fase terminal a sua vida desmorona. Como prova do seu amor pela sua namorada, Stacie Andree (Ellen Page), trava uma dura batalha para que a sua companheira tenha direito a parte da sua pensão quando morrer.

Baseado em factos verídicos e na curta-metragem documentário com o mesmo nome, que venceu um Óscar em 2008. Vencedor do prémio para Melhor Filme no Festial Internacional de San Sebastián, a película tem sido bastante bem recebida, nomeadamente devido às interpretações das duas protagonistas.

Tem estreia prevista em Portugal a 4 de Fevereiro de 2016.

 

- “Grandma” (2015) de Paul Weitz

Sage (Julia Garner), uma jovem com uma gravidez não planeada procura ajuda na sua avó lésbica, Elle (Lily Tomlin), para fazer um aborto.

A já septuagenária Lily Tomlin está numa das melhores fases da sua carreira, conseguiu a proeza de estar nomeada para Melhor Actriz Musical/Comédia aos Globos de Ouro 2016 tanto com a interpretação neste filme como na série “Grace & Frankie”.

 

- “A Rapariga Dinamarquesa” (2015) de Tom Hooper

Uma notável história de amor inspirada na vida dos artistas Lili Elbe (Eddie Redmayne) e Gerda Wegener (Alicia Vikander). Lili nasceu Einar Mogens Wegener e foi a primeira pessoa a submeter-se a uma cirurgia de mudança de género. Gerda aceita a cirurgia mas percebe que perdeu a pessoa com quem se havia casado.

Com três nomeações para os Globos de Ouro 2016, incluindo as de Melhor Actor (Redmayne) e Melhor Actriz (Vikander), espera-se outras tantas aos Óscares. Este filme é já sem dúvida um dos melhores do ano e confirma Redmayne como um exímio actor.

Tem estreia prevista em Portugal a 31 de Dezembro.

 

O polémico:

- “I Am Michael” (2015) Justin Kelly

Um activista dos direitos LGBT, Michael Glatze (James Franco), é “salvo” da sua homossexualidade depois de encontrar Deus.

Michael Glatze é um das figuras mais polémicas do activismo LGBT americano. Depois de anos a defender os direitos das pessoas LGBT passa a condenar a homossexualidade e a afirmar que foi salvo depois de ter encontrado Deus. Pouco ainda se sabe sobre o filme, mas este já está a causar grande polémica, sobretudo pela figura retratada e pelos beijos tórridos trocados entre Franco e Zachary Quinto.

 

A desilusão:

- “Stonewall” (2015) de Roland Emmerich

Quando deperta em Danny (Jeremy Irvine) a sua consciencialização política e da vida foge para Nova Iorque, deixando para trás a sua irmã, durante os dias e as semanas que antecederam a batalha no Bar Stonewall.

Esta película consta desta lista por ser o mais contestado e a maior desilusão de 2015. Tem motivado boicotes e descontentamento. Acusado de apresentar uma história cheia de falácias o filme teve uma estreia nos EUA muito discreta, adivinhando-se que passe ao esquecimento muito depressa.

  

Luís Veríssimo