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Rua Gisberta Salce Júnior? Comissão de Toponímia permanece em silêncio

rua gisberta

Assinalam-se, hoje, 16 anos após a morte de Gisberta Salce Júnior, brutalmente assassinada no Porto, no ano de 2006.

16 anos se passaram do violento assassinato de Gisberta e a mulher permanece bem presente na memória de muitas pessoas. Pessoas essas que se têm esforçado, ao longo dos anos, por materializar essa lembrança através da atribuição do seu nome a um arruamento, no Porto. Apesar das várias tentativas, para já, nada se concretizou.

Em 2010, através do projecto "Viver a Rua", desenvolvido por uma parceria do NEC - Núcleo de Experimentação Coreográfica, inserido no FITEI –, com o envolvimento da comunidade, sugeriu-se o nome de Gisberta para a designação de uma rua. No entanto, nessa altura a proposta foi rejeitada pela Comissão de Toponímia. 

Mais tarde, em 2021, a Comissão Organizadora da Marcha do Orgulho do Porto (COMOP) e outras pessoas defensoras dos direitos das pessoas LGBTI+, criaram uma petição no mesmo sentido – homenagear Gisberta. Mais uma vez, a Comissão de Toponímia rejeitou a proposta, afirmando que “o topónimo Gisberta Salce Júnior não obteve aprovação uma vez que a maioria considerou não se enquadrar nos critérios de aprovação das propostas". Nessa altura, Isabel Ponce de Leão, presidente da Comissão de Toponíma da Câmara Municipal do Porto, referiu, em entrevista ao Jornal Expresso que o “órgão consultivo selecciona personalidades carismáticas da cidade, de todas as classes”, mas “a pessoa em si nada fez em prol do Porto” e que não conseguia “estabelecer uma relação entre a Gisberta e o Porto”.

No mesmo ano da tentativa anteriormente referida, mas em Junho, um conjunto de recomendações do Bloco de Esquerda, sobre a responsabilidade do município em garantir e promover o direito à diversidade e igualdade de pessoas LGBTI+, foram aprovadas na Assembleia Municipal do Porto. Entre as diferentes recomendações da proposta "Por uma cidade que abraça a diversidade e defende os direitos LGBT+" foi aprovada a que apontava para a existência de uma rua com o nome Gisberta Salce Júnior. Apesar do Presidente da Assembleia Municipal ter lembrado que aquela não era uma função da Assembleia, mas da Comissão de Toponímia, a proposta foi aprovada com os votos a favor do BE, PS, CDU e PAN e 26 abstenções.

De facto, só a Comissão de Toponímia pode aprovar esta homenagem a um dos maiores símbolos da comunidade LGBTQI+ do Porto. No entanto, este parece ser um tópico sem relevância para o referido serviço municipal. O dezanove.pt contactou a Comissão de Toponímia, há mais de duas semanas, para apurar o ponto de situação deste processo, referindo a recomendação do Bloco de Esquerda que fora aprovada, em Junho de 2021, mas até à hora de publicação deste artigo não obteve qualquer resposta. 

 

Sara Lemos

Imagem: @Kiddo.Creative