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2016 em 10 filmes (mais ou menos) LGBTI

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Este ano houve filmes para todos os gostos e sabores, apesar das poucas estreias comerciais em Portugal de filmes com conteúdos LGBTI. Os visionamentos passaram, sobretudo, pelos festivais e mostras de cinema. A escolha foi difícil mas eis que chegámos aos 10 filmes que marcaram o ano. Os filmes foram listados por ordem alfabética. 


“Absolutely Fabulous: The Movie” (2015), de Mandie Fletcher 

Edina e Patsy vêem-se envolvidas numa sucessiva descida aos infernos da moda. Não é uma obra-prima mas foi um dos acontecimentos cinematográficos do ano no Reino Unido. O regresso da dupla de sucesso da série homónima da BBC não é champanhe nem é vodka, é um conjunto de gags e sketches num cocktail fácil de ver. Foi o filme de abertura do Queer Lisboa 20.

 


"Arianna" (2015), de Carlo Lavagna 

A descoberta do amor, de nós próprios, num tempo de Verão, em que a vida é fácil e bela. A primeira longa-metragem realizada directamente para cinema de Lavagna é tão poética quanto esta breve descrição. O filme passou na 9.ª edição do 8½ Festa do Cinema Italiano e arrebatou corações.

 

“Cruzeiro Seixas – As Cartas do Rei Artur” (2015), de Cláudia Rita Oliveira 

Artur do Cruzeiro Seixas através de 95 anos de pintura e poesia. Foi “o” filme do DocLisboa deste ano. Cláudia dá-nos um dos filmes portugueses mais belos de 2016. A pintura, a poesia e os aforismos surrealistas são o mote para contar uma profunda história de amor e fazer jus ao autor (não) esquecido.


“Desde Allá” (2015), de Lorenzo Vigas 

A relação entre um homem abastado e um adolescente líder de um gangue criminoso. O venezuelano Lorenzo Vigas conseguiu o feito de sair do Festival de Veneza de 2015 com o desejado Leão de Ouro. Para uma primeira obra é… obra. O filme pôde ser visto no 13.º IndieLisboa.

 

“Looking: The Movie” (2016), de Andrew Haigh 

O regresso de Patrick a São Francisco para os braços dos amigos que deixou e ir a um casamento. Em 2015 o canal HBO terminou abruptamente uma das séries mais promissoras do mundo LGBTI dos últimos anos. De forma a compensar os fãs que ficaram órfãos trouxe este ano um telefilme romântico e fofinho sem grandes rasgos de argumento. É, mesmo assim, um dos filmes de 2016. Foi o filme de encerramento do Queer Lisboa 20.

 

“Love Is Strange – O Amor É Uma Coisa Estranha” (2014), de Ira Sachs 

O amor puro e belo na terceira idade, aliado às dificuldades da vida, num momento de crise financeira e angústia. O penúltimo filme de Ira Sachs esteve para estrear várias vezes em 2015 e acabou por exibido comercialmente este ano. Merece uma vez mais o nosso destaque, agora que está quase a estrear, ao que tudo indica em Janeiro, o novo filme de Sachs, “Homenzinhos” (“Litle Men”, 2016)

 

“O Ornitólogo” (2016), de João Pedro Rodrigues 

A adaptação muito livre e quase que autobiográfica da história de Santo António de Pádua (e de Lisboa). Vencedor do prémio de Melhor Realização em Locarno, era um dos filmes portugueses mais aguardados do ano. A alegoria da vida e da morte de um santo, personificado na voz do próprio realizador oscilou entre o amor e a desilusão dos críticos e fãs da obra de JPR.


“Raman Raghav 2.0” (2016), de Anurag Kashyap 

O percurso aterrorizador de um serial killer e a sua estranha obsessão com o jovem polícia que o tenta capturar. Ora aqui está um filme incomum do cinema de Bollywood e das películas que habitualmente se encontra no MOTELx. Uma estranha história de libertação e amor são a base desta estranha obra de terror.

 

“Rara” (2016), de Pepa San Martín 

Duas meninas, duas crianças, duas irmãs são o centro de um processo judicial pela sua guarda. O amor dos pais às vezes é cego e tolda a razão não os deixando ver para lá de si mesmo. A beleza deste filme reside na simplicidade da história que, não sendo simplista, nos explica o que é o amor parental e o que lhe está associado. Vencedor do prémio de Melhor Actriz (Julia Lübbert) na 20.ª edição do Queer Lisboa.


"Tchindas" (2015), de Pablo García Pérez de Lara e Marc Serena 

A história das heroínas atípicas de São Vicente, Cabo Verde. Um nome que passou a designar toda a comunidade LGBTI. Começou logo a dar que falar no final do ano passado com o prémio para Melhor Documentário no Cape Verdean American Film Festival 2015. Por cá pôde ser visto no Queer Lisboa 20. No seu ritmo próprio, vagaroso como o das ilhas que compõem o país, mostra o dia-a-dia das tchindas e a realidade da população.

 


Luís Veríssimo