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O Mr. Leather Espanha esteve em Lisboa e fomos conhecê-lo

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Rafa Alvarez foi convidado do Gear Club Portugal para celebrar o terceiro aniverário do grupo português de conhecidos e amigos com interesse comum na temática leather/fetiche. A propósito da sua passagem este mês por Lisboa, o Mr. Leather Spain ajuda a desmistificar algumas ideias sobre esta comunidade gay.

 

dezanove: O que te pareceu o ambiente de Lisboa? Achas que existe por cá uma cultura leather?

Rafa Alvarez: O terceiro aniversário do Gear Club Portugal em Lisboa foi um grande fim-de-semana. Estava muito bem organizado e com uma grande atenção com todos os espanhóis convidados e comigo, enquanto Mr. Leather Spain. Fiquei surpreendido com o alto nível leather que existe em Portugal. Encontrei autênticos leathermen e um grupo muito numeroso de pessoas vindas de várias partes de Portugal.


Existem muitas ideias erradas sobre o que é o fetichismo e a imagética leather. Como explicarias o que é um grupo leather/fetichista a pessoas que não têm ideia do que é?

Acho que sempre houve a ideia de que leather e BDSM são a mesma coisa. Na origem foi assim, mas hoje em dia essa imagem ou associação não é correcta. Um leatherman pode perfeitamente sê-lo sem ter de praticar determinado tipo de sexo ou de papel. Para mim um grupo leather é sinónimo de reunião, de associação de pessoas que têm em comum o culto de vestir leather. Temos em comum o divertirmo-nos, neste caso com leather, com botas e com atitudes.


A comunidade leather ainda está no armário da comunidade LGBT? Sentes que uma parte substancial da comunidade LGBT tem algum problema com os adeptos ou apreciadores de leather ou fetiche?

A comunidade leather está cada dia mais normalizada e fora do armário da comunidade LGBT, mas é certo que ainda há um percurso a fazer e um trabalho até se atingir a normalização dentro da comunidade. Um dos meus objectivos como Mr. Leather é conseguir essa normalidade dentro e fora da comunidade LGBT. Estamos no século XXI e ninguém pode ficar ofendido te vestes tipo leather ou se praticas determinado tipo de sexo consentido e com respeito entre as pessoas envolvidas. Estamos a avançar mas ainda há muito que fazer.

 

Como foi concorrer ao Mr. Leather Spain? Que impacto teve na tua vida?
Já em 2015 tinha vontade em participar e em 2016 apresentei-me como concorrente. A eleição como Mr. Leather não mudou substancialmente a minha vida, mas ela é agora mais intensa em actividades, em viagens e em eventos e, sobretudo, em tornar o leather mais conhecido em Espanha. Tenho uma responsabilidade que sempre quis ter. Esforço-me por trabalhar pela comunidade leather e por cumprir as suas expectativas em relação a mim.

 

O ambiente leather/fetiche não está mais presente no Norte da Europa? Como é o ambiente em Espanha?

Pela temperatura e pelo clima é mais fácil ter a oportunidade de vestir leather no Norte do que no Sul da Europa, em países como Portugal, Espanha ou Itália. O ambiente leather em Espanha é de fraternidade, como estamos a fazer entre o clube português e o espanhol, onde se partilham reuniões, jantares, festas. É um ambiente solidário onde existe espaço para todas as pessoas. O grupo pode ser menos numeroso ou popular do que em outros países europeus, devido à falta de cultura leather, mas cada vez mais essas as distâncias estão a encurtar-se.