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A animação nocturna em termos de espaços e eventos LGBT é um factor importante no momento da escolha do destino de férias para muitos turistas LGBT. Nos últimos anos, Lisboa tem assistido a um crescimento gradual, mas sustentado da sua vida nocturna LGBT. Neste momento, existem já opções para quase todos os tipos de interesse dentro da comunidade LGBT. Apesar disso, as várias tentativas de criação de uma festa LGBT mensal e regular em Lisboa, têm tido pouco sucesso, com excepção das festas Conga.

 

O dezanove.pt, em conjunto com a LisbonBeach, marca nacional que procura promover Lisboa e Portugal como destinos LGBT a nível internacional, foi conhecer uma das maiores festas regulares na Europa, a La Demence. Esta festa mensal tem lugar em Bruxelas e conta já com uma tradição de 26 anos. O nosso objectivo foi conhecer os factores para o sucesso duradouro da La Demence. Optámos pelo fim-de-semana especial de celebração dos 26 anos da La Demence. Em vez de uma única festa, para este evento especial, a organização criou três festas, para cada noite de sexta a domingo. À chegada a Bruxelas, o primeiro impacto no centro foi ver, com muita frequência, rapazes que estavam propositadamente na cidade para irem à La Demence. No nosso hotel, que era um dos vários hotéis escolhidos pela La Demence como um parceiro do evento, havia pisos inteiramente ocupados por rapazes que iam participar na La Demence.

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A primeira e última festa deste fim-de-semana tiveram lugar num clube nocturno do centro de Bruxelas (Fuse), que não é um espaço LGBT, foi apenas arrendado para a festa. O evento contou com três pistas de dança e vários espaços que funcionaram como "quarto-escuro", mas relativamente bem iluminados e onde sexo era permitido. Em ambas as noites, a La Demence ficou rapidamente cheia de rapazes de todas as idades, a esmagadora maioria (pouco) vestidos em "dress-code fetish". O estilo “sportswear” era o mais comum. O ambiente foi de diversão descontraída e descomplexada, permitindo dançar ao som de DJs de topo convidados para a esta e que tocaram house e deep-house. Na festa foi bastante simples conhecer e conversar com quem se quer. Para além disso, existiu uma forte componente de liberdade sexual no ambiente com muitos participantes alternando entre o sexo casual nos espaços de "quarto-escuro" e umas horas de dança numa das várias pistas.

Conseguimos perceber que é este ambiente único que atrai as pessoas e que permitiu à La Demence se ter afirmado durante mais de duas décadas. Na noite de Sábado, o evento teve lugar no enorme Flanders Expo, na cidade de Ghent, um espaço com mais de 54 mil metros quadrados, localizado a pouco menos de uma hora do centro de Bruxelas. A organização ofereceu transporte gratuito entre o Bruxelas e Ghent. Nesta noite, existiu uma única pista de dança com enormes dimensões, mas, para compensar, os efeitos em termos de luzes e de vídeo, combinados com a animação no palco foram impressionantes. Também nesta noite, existiu um espaço de grandes dimensões que funcionava como "quarto-escuro". Mais uma vez, foi criado um ambiente de festa único que animou milhares de visitantes.

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De acordo com a organização este fim-de-semana vendeu mais de 10 mil entradas, tendo só a festa da noite de Sábado atraído um total de 4800 convivas. No total, cerca de 125 pessoas colaboraram com a La Demence três dias. Uma estimativa conservadora, baseada no preço de venda das entradas, permite-nos assumir que este fim-de-semana gerou um volume de negócios para a entidade organizadora da La Demence de cerca de meio milhão de euros. A maioria dos convivas eram da Bélgica, Holanda, França, Alemanha, Espanha, Itália e Suíça. Podemos também assumir que terá tido um impacto significativo nos hotéis da cidade, restauração e lojas em geral. Note-se que em termos de dimensão da vida nocturna LGBT e mesmo em termos de atractividade para o turismo LGBT, Bruxelas está relativamente desfavorecida em relação a Lisboa. A La Demence parece indicar que a organização de grandes eventos LGBT pode ter um impacto significativo para tornar um destino mais apetecível para este público. E tal pode contribuir significativamente para a economia de um destino.

Depois da experiência lançamos as quesões: qual seria o impacto em Lisboa da existência de uma festa como a La Demence? E em que medida está o público nacional pronto para uma La Demence?

 

Rui Silva

 

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