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The Gift: 20 anos de carreira em três horas de concerto

The Gift por Paulo F. Mendes

Conhecida como a banda de Alcobaça, os The Gift pisaram pela primeira vez o palco do MEO Arena para um concerto de comemoração dos 20 anos de carreira. Responsáveis pela gestão da sua própria carreira, este foi um espectáculo preparado com todo o cuidado e que se esperava grandioso. No entanto, ficou-se apenas por alguns momentos grandiosos.

Uma sala composta, mas longe de esgotada, esperava para receber o que seriam 3 horas de espectáculo que iniciou com o mais recente single da banda, “Clássico”. Seguiu-se o regresso ao passado da banda onde tocaram temas como “Laura”, uma das primeiras músicas compostas pelo quarteto. Durante meia-hora percebeu-se quem era o público que ali estava para ver The Gift. Um público que muito pouco conhecia da discografia da banda e claramente à procura dos grandes sucessos cantados em português, “Fácil de Entender” e “Primavera”. Foi por isso uma primeira meia-hora morna, onde apenas umas dezenas de pessoas reagiam aos primeiros acordes dos temas tocados.

Numa sala que já nos habituou a uma má acústica, a banda foi traída pelos inúmeros problemas técnicos que sofreram durante o concerto. Várias foram as actuações em que víamos Sónia Tavares, a vocalista, aflita com o microfone e a dificuldade em ouvir-se nos auriculares que usava. “Ok, Do You Want Something Simple” foi o momento de viragem do concerto, com a plateia de pé a vibrar com um dos primeiros grandes sucessos da banda. Seguiu-se depois uma viagem a temas dos álbuns Film (2001), Explode (2011), Primavera (2012), com uma Sónia vocalmente exímia, acompanhada por uma constante mudança de cenários e figurinos que pretendia impor ritmo ao concerto.

Luna por João Paulo Wadhoomall

Um dos momentos altos da noite foi quando Nuno Gonçalves, autor, compositor e teclista da banda, apresentou o tema que iram tocar a seguir, “Driving You Slow” do álbum AM-FM (2004), chamando ao palco Luna. Luna foi a transformista que protagonizou o videoclip do single em 2004 e subiu ao palco como a única convidada especial, em homenagem a uma “causa e arte que é muito pouco valorizada em Portugal“. Foi recebida de pé por toda a plateia, num momento arrepiante.

O ritmo do concerto foi aumentando. Aquilo que teria sido uma primeira hora com a plateia maioritariamente sentada foi-se transformando numa pista de dança, com temas como “Doctor”, “In Repeat” e “RGB” a animar o MEO Arena. A actuação da noite vai para o tema “Front Of” do segundo álbum da banda, “Film” (2001), que não deixou indiferente a audiência. Ainda que poucos tivessem acompanhado Sónia na letra da canção, a sua actuação e interpretação efervescentes mereceu uma ovação de pé por todos os presentes.

Já depois de duas horas de concerto, aquele que seria o momento alto da noite – “Fácil de Entender” – foi mais uma vez boicotado pelos problemas técnicos. Sónia que estava suspensa no ar enquanto cantava, no momento de chegar a um palco improvisado no meio da plateia foi traída pelos técnicos que a atiraram contra um candeeiro que compunha o cenário. “Tirem-me daqui” disse a cantora sempre bem-disposta mesmo num momento de interrupção do tema. A esta actuação seguiu-se um momento inesperado, uma versão de “My Way”, tema eternizado por Frank Sinatra, que prendeu a atenção da plateia que acompanhou Sónia.

Para terminar, “Music” foi o tema com que a banda se despediu de um concerto que será memorável pela sua dimensão. Nas palavras de Sónia “é bom termos uma sala tão grande cheia de pessoas que pagaram para nos ver”. Três horas de altos e baixos, num concerto longo que levou algumas pessoas a abandonar a sala após duas horas de espectáculo, mas que agradou os verdadeiros fãs que no fim tiveram ainda direito a uma sessão de autógrafos.

 

4 em 5 estrelas

 

André Faria

 

Crédito das fotos: Paulo F. Mendes e João Paulo Wadhoomall