Terça-feira, 18 de Setembro de 2012

EXCLUSIVO

António da Silva: “É possível dizer muito de nós como humanos falando de sexo” (com trailer de "Bankers")

Ter, 18/09/12

Assina como António da Silva e é já encarado como uma revelação enquanto realizador pela abordagem dos retratos que faz da comunidade gay. À sua primeira curta “Mates” – que retratava encontros de sexo entre homens-, seguiu-se “Julian” – a história de uma viagem envolta num amor de Verão. Com o seu novo trabalho “Bankers” a trilogia Sexo, Amor e Dinheiro fica agora completa.


dezanove.pt falou com o realizador português, radicado em Londres, e já tem os pormenores das próximas duas curtas metragens (“Bankers” e “Pix”) que vão estrear e competem na categoria “Melhor Curta Metragem” neste QueerLisboa 16.


 

dezanove: Como é que a tua orientação sexual influenciou o teu trabalho?

António da Silva: Não influenciou até um ano atrás porque sempre fiz cinema, mas sem ter nada a ver com orientação sexual. Nessa altura decidi fazer o meu coming out artístico e assinar este novo trabalho como António da Silva para falar de experiências pessoais. Basicamente estou interessado em pessoas e o António da Silva explora o lado pessoal e íntimo delas.


 

Como é fazer parte da acção nos teus filmes? 

A câmara é sempre uma personagem, mas nunca me vão ver à frente da câmara. Aconteceu em “Mates”, mas penso que não voltará a acontecer no futuro.


 

Explica-nos porque razão filmas sexo explícito.

Interessa-me mais filmar pessoas e situações reais, do que cinema porno ou cinema gay tradicional, em que o sexo é muito ficcionado. É possível dizer muito de nós como humanos falando de sexo, sobretudo da comunidade gay que se baseia tanto nisso.

 


É correcto associar-te à ideia do realizador que retrata a promiscuidade na comunidade gay?

Não me importo de ser visto como o realizador que filma a promiscuidade gay. Mas nos próximos dois/três anos vão haver muitos mais a fazerem o que eu faço e espero que nessa altura as pessoas consigam ter uma perspectiva mais construtiva em relação à palavra “promiscuidade”.



 

De que fala “Bankers”?

Bankers foi filmado em Londres e mostra-nos o que faz um grupo de bancários durante a sua pausa numa casa de banho.



 

E vamos continuar a apertar a mão a um bancário da mesma forma?

Possivelmente. As pessoas vão passar a vê-los de forma mais humana: também eles têm necessidades fisiológicas e de se masturbarem. No fundo mostra-nos uma realidade que não está acessível a toda a gente.

 

E qual é o fio condutor em “Pix"?

“Pix” é um projecto em construção. Neste projecto estou interessado em poses e atitudes e na forma como usamos o telefone para partilhar fotos de perfil nos sites de encontros sexuais. Funciona como um estudo acerca da forma como um gay usa a fotografia para apelar ao desejo do outro. Acabam por ser fragmentos de vários corpos que vão construir um só corpo.
 

 

E está em construção porquê?

Vou continuar a pedir a colaboração das pessoas para completar o puzzle.

 

 

“Pix” e “Bankers” passam dia 23 de Setembro, às 23h59, Sala Manoel de Oliveira, e dia 27 de Setembro, às 23h30, Sala 3. Cinema São Jorge, Lisboa.


 

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