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A história de uma refugiada síria queer

Shelled buildings in the suburbs of Damascus. Bass

Dezenas de pessoas LGBT fogem todos os dias do Médio Oriente para a Turquia, tentando escapar às milícias islâmicas, ao assédio sexual e às ameaças de morte, vindas muitas vezes das próprias famílias. Durantes as próximas semanas vamos dar-te a conhecer um conjunto de histórias reais do que é ser LGBT no Médio Oriente e das dificuldades na procura por uma vida melhor. Hoje contamos-te a história de M.

 

Nos subúrbios de Damasco, capital síria, M estava à espera do autocarro quando foi abordada por um grupo de homens armados que a obrigou a entrar no carro em que seguiam. “Porque é que não estás tapada e porque é que tens o cabelo curto?” foi o que lhe perguntaram de imediato, ao mesmo tempo que lhe batiam na cara. Obrigaram M a recitar o Alcorão de forma a identificarem se seria muçulmana ou não, para depois lhe dizerem: “Porque estás a imitar os homens? Por essa razão deverás ser executada.”

Depois de dois dias vendada numa mesquita, M safou-se da execução uma vez que na aldeia onde vivia já tinha curado várias pessoas através de tratamentos de medicina alternativa e um dos líderes, ao saber disto, decidiu poupá-la. Contudo, deixaram um aviso: “Poderás morrer a qualquer momento, por isso deves sair desta área imediatamente”.

Impedida de voltar à sua casa com medo de ser descoberta, M pediu dinheiro a uma amiga para conseguir fugir para a Turquia. Depois de sete meses a vender no “mercado negro” na Turquia, M recebeu uma notificação do ACNUR (Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados): existia a possibilidade de ir para outro país da Europa ou para os Estados Unidos da América. Pediram para esperar um telefonema a confirmar mais detalhes mas, passados 6 meses, M continuava à espera.

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“O meu sonho é viver num país que respeite uma mulher queer como eu como um ser humano” contou em declarações ao BuzzFeed News. Se tivesse dinheiro teria feito o que uma colega de casa fez este verão: contratou um “contrabandista” que a colocou num barco para a Europa por 2500 dólares (cerca de 2300 euros). Com a dificuldade em arranjar emprego e as condições miseráveis em que vivia M acabou por tomar uma decisão “suicida”: voltar para a Síria. “Estou a voltar ao encontro da minha morte, mas que outra hipótese tenho?” desabafa M.

O ACNUR queixa-se que, desde o início da guerra na Síria, tem sido complicado dar seguimento a todos os pedidos de resgate, daí que a espera por um bilhete de saída da Turquia seja, em média, de dois anos. Um ano para que o ACNUR decida a elegibilidade dos candidatos e mais um ano para que o país que os irá receber emita os seus vistos. São mais de 700 as pessoas LGBT que estão registadas como refugiadas na Turquia, mas a ORAM (Organização para os Refugiados, Asilo e Migração) acredita que poderão ser muitos mais, considerando os que não sabem que podem pedir um estatuto de asilo especial por serem LGBT e, também, porque muitos terão medo das consequências de se assumirem como LGBT. 

 

Adaptação e tradução: André Faria

Fonte: Buzzfeed

Fotos: Bairros bombardeados nos arredores de Damasco e Campo de refugiados