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Desrotina: "Queremos apaixonar e transformar não-leitores em leitores ávidos!"

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Foi anunciado a 22 de Outubro pelo grupo Infinito Particular, uma nova chancela: a Desrotina Editora. Esta nova editora vai estar vocacionada para a publicação de títulos estrangeiros, que estejam direccionados para o público Young Adult (YA) e New Adult (NA). 

Para além disso, a Desrotina também veio com a intenção de revolucionar o mercado literário português. Um mercado desgastado que acaba por ter sempre mais do mesmo. O que a Desrotina se propõe a fazer é exatamente o que o nome indica: sair da rotina. Trazer ao mercado português inovação, representação, diversidade e principalmente, livros que conquistem e encham o coração de novos leitores.

O primeiro livro publicado foi “Ás de Espadas” (ou, no original, “ACE of Spades”) de Faridah ÀBíké Íyímídé. Este livro, que é o primeiro de uma nova autora, tem representação negra e queer e é um thriller viciante. O site dezanove.pt ficou curioso e quis saber mais sobre esta editora e este novo livro.

 

dezanove: Como surgiu a ideia de criar esta nova editora?
‌Ana Pinto - Desrotina: A ideia de criar uma nova chancela direccionada para o público jovem adulto surgiu após verificarmos que o mercado editorial português precisa de estimular o aparecimento de novos leitores e que as editoras têm abordado este segmento de forma bastante conservadora, logo existia espaço e razão de ser para tentar agitar um pouco as coisas e tentar a criação de uma nova filosofia de comunicação alternativa com o propósito de alcançar este público específico.

 

O que pretendem trazer de novo ao mercado literário português?
‌Mais do que tudo, queremos dar a conhecer o dia-a-dia e as caras das pessoas que trabalham diariamente no sector editorial. Sermos o mais directos e abertos que nos é possível ser, quer seja numa comunicação mais informal como nas informações que partilhamos. Além disso, queremos quebrar barreiras e trazer a Portugal alguns títulos que nem sempre são apostas do nosso mercado. Mais do que tudo, queremos apaixonar e transformar não-leitores em leitores ávidos!

 

Já fizeram algum marketing e conseguimos ver que os leitores estão ansiosos para o que irão trazer de novo. Pensam que estão à altura destas expectativas?
‌Não, nunca! (risos) Esperávamos ser bem recebidos, mas não estávamos à espera desta reacção tão efusiva. Foi uma grande surpresa e algo que apenas nos dá mais vontade de continuarmos a lutar por um mercado diferente e inclusivo. Sabemos que haverá alturas em que iremos desiludir alguns leitores, directa ou indirectamente, mas estamos a trabalhar para não o fazer nenhuma ou muito poucas vezes.

 

Para além de "Ás de Espadas" podemos contar com mais livros com representatividade de minorias, como pessoas queer ou pessoas de diferentes etnias e cor de pele, entre outras?
‌Claro! Estamos, neste momento, a trabalhar nos próximos livros de 2022 e podemos revelar que temos títulos com representatividade que apresentam personagens queer, não-bináries, com diferentes etnias, entre muitas outras.

 

Os leitores estão bastante curiosos, como já disse antes. Será que podem esperar algo mais elaborado nos vossos livros, como sprayed edges (acabamentos especiais), pequenos brindes, edições especiais ou até mesmo livros com capa dura?
‌Esse é outro objectivo que pretendemos ter sempre que nos for possível. Inicialmente, «Ás de Espadas» não ia ter sprayed edges, mas como vimos o entusiasmo e os pedidos dos leitores, conseguimos concretizar. Nos próximos projectos, esperamos trazer muito mais e ir diversificando consoante o livro.

 

Tencionam apenas traduzir ou também vão apoiar autores nacionais menos conhecidos?
‌A Desrotina será apenas uma chancela com títulos internacionais. Para a publicação de novos ou autores menos conhecidos, já existe a Cultura Editora, dentro do grupo Infinito Particular, que já faz um trabalho de publicação e promoção dos autores nacionais.

 

Supondo que continuam a traduzir livros de temática LGBTQI+, que pronomes utilizarão se num livro surgisse uma personagem não-binárie? Iriam adoptar os pronomes neutros portugueses: Elu/Delu e tornar o corpo do texto o mais neutro possível?
No caso de personagens não-binárias, iremos respeitar a obra e a sua personagem e, claro, utilizar pronomes neutros.

 

Para quando mais novidades?

Para além do “Ás de Espadas” que já se encontra em pré-venda no site da editora e em revendedores, o segundo livro será publicado a 17 de Fevereiro: “Get a life, Chloe Brown” de Talia Hibbert. Um livro que apresenta representação de doenças crónicas, é o primeiro de uma trilogia e é um romance adorável com alguns toques picantes.


Entrevista de Filipa C.