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O Amor é feio 

Bifobia Carolina Pereira opinião.png

Enquanto reflectia sobre o caso de bifobia no Big Brother Brasil, só minha vinha à cabeça a música “O Amor É Feio” dos Tribalistas, o trio musical do Rio de Janeiro. 

 

A música começa por dizer O amor é isso / Tem cara de bicho / Por deixar meu bem / Jogado no lixoe, infelizmente, para muitos bissexuais, o amor ainda os faz sentir “jogados no lixo” quando o bicho da bifobia mostra a sua cara. 

Pela luta contra a LGBTQfobia é preciso falarmos, muito, de bifobia. 

O caso aconteceu no Brasil, mas não é menos importante para a comunidade LGBTQ em Portugal. Isto porque a luta contra a bifobia continua a ser importante tanto fora como, muitas vezes, dentro da comunidade LGBTQ. 

"Bissexuais estão apenas confusos", "Vocês têm de decidir um lado. São indecisos.”, “Bissexuais vão com toda a gente.”, “Bissexual é desleal.” - frases como estas são direccionadas com frequência aos bissexuais. 

O actor e activista Lucas Koka deixou a casa do BBB21 este fim-de-semana por vontade própria, depois de ser anulado e questionado pela sua sexualidade, como também acusado de querer protagonismo e estar a usar a bissexualidade como estratégia. Identidade não é estratégia. Não é estratégia em lado nenhum, muito menos no Brasil. 

Nas redes circulavam vídeos de Lucas a dizer, enquanto chora, "Eu não vou ser aceite aqui. Não vou ser aceite quando chegar na minha comunidade. Não vou ser aceite pelos meus amigos". 

O Brasil é dos países com mais mortes de pessoas LGBTI+, com um número assustador de assassinatos de pessoas trans em 2020 - 175 pessoas.  

Por isso, este medo de Lucas, é justificado. 

Lucas já sofria abuso psicológico desde o início e ninguém fez nada. O preconceito é muito. 

Em 2015, um estudo publicado na revista científica “Journal of Public Health concluiu que mulheres bissexuais sofrem mais problemas de saúde mental do que as mulheres lésbicas. O estudo mostrou que as bissexuais são mais marginalizadas, inclusive na comunidade LGBTI+. De acordo com o estudo, as bissexuais têm 64% maior probabilidade de terem distúrbios alimentares do que as lésbicas; 37% maior probabilidade de se automutilarem; e são 26% mais propensas a sofrer depressão. 

O estudo dizia ainda que as mulheres bissexuais acabam por comunicar menos sua orientação sexual a amigos, familiares e parceires e podem permanecer “no armário” por muito mais tempo do que gays e lésbicas. 

As bissexuais têm um risco maior de serem marginalizadas tanto nas comunidades gays, como no resto da sociedade. 

As bissexuais têm um risco maior de serem marginalizadas tanto nas comunidades gays, como no resto da sociedade. 

Ora ou as lésbicas sentem que uma mulher bissexual as irá trocar por um homem mais tarde ou mais cedo, ou um homem heterossexual sexualiza uma mulher bissexual e acha que têm de “fazer tudo” na cama. Ser bissexual não é ser 50% homossexual e 50% heterossexual, é ser-se 100% bissexual. 

Entretanto, continuo a ouvir a musica dos Tribalistas que agora diz “O amor é lindo / Faz o impossível / O amor é graça / Ele dá e passa.” e eu acredito que existe muita força na beleza do amor bissexual. 

Porque a bissexualidade tem “feito o impossível”, isto porque não só questiona a normativa da heterossexualidade como também da atracção por apenas um género. 

Existe uma angariação de fundos para conseguirmos o dinheiro para o Lucas comprar a casa da mãe dele. Se podem, ajudem a divulgar, para que não seja mais um bissexual a ser prejudicado apenas por ser quem é. 

No fim, a letra termina com “O amor é livre / O amor é livre / O amor é livre / O amor é livre.” e eu acrescentaria que, não só deve ser livre, como deve libertar também.

 

Carolina Pereira, Activista pelos Direitos Humanos, Feminismo e Media